A Prefeitura de Pelotas lançou o processo de licitação para definir a empresa responsável pelas obras de revitalização da região do Areal Fundos. Orçado em R$ 5,7 milhões, o projeto prevê pavimentação, drenagem, ciclofaixa e calçadas na rota que conecta o Obelisco da Avenida Domingos de Almeida à Vila da Palha. A abertura das propostas está agendada para o dia 28 deste mês, com a expectativa de que os trabalhos comecem em junho.
O investimento utiliza recursos do Ministério do Turismo provenientes de emenda parlamentar. Segundo o secretário municipal de Urbanismo, Otávio Peres, a proposta inicial foi reformulada para ir além da melhoria viária, buscando integrar a infraestrutura urbana ao potencial turístico e histórico da região.
— Não é mais exclusivamente um projeto de pavimentação. Ele contempla abrangentes questões de caminhabilidade e busca conduzir o turista ao longo desse contexto ampliado das charqueadas. O projeto tem um conceito forte, com calçadas lúdicas e coloridas inspiradas nos contos de João Simões Lopes Neto — afirma Peres.
Segundo ele, calçadas vão integrar as moradias ao posto de saúde, aos abrigos de ônibus e à Escola Municipal de Ensino Fundamental (Emef) Piratinino de Almeida.
O plano prevê uma intervenção estrutural mais densa até a Vila da Palha, onde o trajeto terminará em um deck e um trapiche na orla do Arroio Pelotas. No restante da Estrada da Costa, haverá demarcações nos acessos às charqueadas.
Moradores relatam problemas de mobilidade no inverno
Para a comunidade local, a obra representa a possibilidade de superar problemas históricos de deslocamento, principalmente em dias de chuva.
Atualmente, as condições da Estrada da Costa dificultam o acesso do transporte coletivo. A moradora da Vila da Palha Caroline Silva, de 37 anos, relata que o trecho até a entrada da vila acumula muita água e lama no inverno, impedindo a entrada do ônibus.
— Se chover um dia, o ônibus já não vem aqui embaixo. Todo mundo que trabalha e sai às 6h da manhã, ou a gurizada que estuda de noite e faz faculdade, tem que ir lá em cima na faixa pegar o transporte. Se essa pavimentação vier, vai ser um sonho. O pessoal vai ficar louco de felicidade — afirma Caroline.
Morador da localidade há quatro décadas, Nilson Souza confirma as dificuldades enfrentadas no dia a dia devido ao estado da via.
— Quem mora lá no fim da vila sofre muito quando chove. Vira um terror de buraco e água. Sabia que existia esse projeto, mas não se ia sair. Se chegar mesmo, vai ser ótimo — diz Souza.
Próximos passos
O traçado da revitalização foi apresentado e discutido com os moradores em agosto do ano passado, durante audiência pública. Naquele período, o Sanep e a Secretaria de Serviços Urbanos e Infraestrutura (Ssui) já executavam intervenções preliminares de macrodrenagem na área, como a limpeza de canais e instalação de travessias.
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