Auditoria feita em 16 universidades federais pelo TCU (Tribunal de Contas da União) detectou irregularidades no uso das fundações de apoio das instituições, entre elas UFMG, UFPR e UFBA (veja quadro).
A auditoria foi realizada no segundo semestre do ano passado, depois do escândalo entre a UnB e sua fundação de apoio (Finatec), que levou à renúncia do reitor Timothy Mulholland.
Entre os problemas apontados há a falta de prestações de contas, dispensas ilegais de licitação, concessão de bolsas de estudo "exorbitantes" e contratação de funcionários das fundações de apoio para ocupar cargos sem concurso público.
O TCU não deu detalhes, alegando que os processos ainda estão sendo apurados e que os reitores ainda serão ouvidos.
As fundações têm como uma das funções a captação de recursos na iniciativa privada para complementar os orçamentos das instituições. Ajudam a manter a autonomia das universidades e a garantir o funcionamento de pesquisas. No entanto, o TCU diz que muitas delas passaram a ser usadas como laranjas ou como caixa dois.
Foram fiscalizados 464 contratos e convênios referentes principalmente a 2007 e 2008 e que somaram quase R$ 950 milhões. A escolha das 16 Ifes (Instituições Federais de Ensino Superior) não seguiu um critério único, mas a amostra apontou problemas em todas.
O relatório do TCU, divulgado no final de novembro, admite a possibilidade de que todas as 60 Ifes existentes permitam as mesmas irregularidades.
Há hoje 111 fundações credenciadas no Ministério da Educação. O TCU chegou a encontrar prestação de serviços de fundações não credenciadas.
Uma das práticas apontadas pelo tribunal é a transferência dos recursos enviados pelo governo federal para contas privadas das fundações de apoio, de forma a garantir a execução do orçamento. As universidades têm de gastar a verba no mesmo ano em que ela é transferida pelo governo, e isso muitas vezes ocorre com atraso.
"Em muitos casos, os contratos tinham a função de produzir recursos excedentes, guardados pelas fundações, mas sob gerência informal dos reitores", disse o TCU em nota.
Um dispositivo criado na Lei Orçamentária Anual de 2009 prevê que esses recursos possam ser transferidos para o ano seguinte, o que pode diminuir as práticas ilegais, diz o MEC.
O acórdão do TCU fez determinações aos ministérios de Educação, Planejamento e Ciência e Tecnologia para aumentar a fiscalização e tentar conter as irregularidades. O governo tem até o final de maio para cumprir as determinações e criar normas para as universidades, sob pena de multas.
O MEC informou que um grupo de trabalho interministerial já está sendo formado e que "o prazo será cumprido".
As instituições serão convocadas para responder aos questionamentos a partir do mês que vem e cada processo será avaliado pelo TCU, podendo levar a interrupção de obras, aplicação de multas, entre outros.
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