Escândalo da Propina: Empresa foi alvo duas vezes do FBI


ESCÂNDALO DA PROPINA: EMPRESA FOI ALVO DUAS VEZES DO FBI
26/02/2004

Gtech já foi investigada
em seis estados nos EUA

Gerente foi acusado de pagar propina a parlamentares

WASHINGTON e RIO. Os vínculos da Gtech do Brasil com o bicheiro Carlos Ramos, o Carlinhos Cachoeira, e o ex-assessor parlamentar da Casa Civil Waldomiro Diniz parecem seguir uma praxe que ao longo da última década manchou a imagem da empresa-mãe, a Gtech Corp, nos Estados Unidos.

Casos de licitações suspeitas, fraudes, subornos, extorsões e lavagem de dinheiro aparecem no perfil da empresa que fatura em média US$ 1 bilhão por ano.

Uma série de escândalos levou a investigações federais sobre a participação da Gtech em loterias oficiais de seis estados americanos — Texas, Georgia, Nova Jersey, Kentucky, Nova York e Califórnia —- ao longo dos últimos dez anos. Elas resultaram em multas, várias demissões e, inclusive, na renúncia, em 1998, de seus próprios fundadores e principais executivos, Guye Snowden e Victor Markowicz.

Vários episódios nebulosos, alimentados pela obtenção de contratos de forma controvertida, tornaram-se conhecidos a partir da condenação — em outubro de 1996 — do então gerente nacional de vendas, J. David Smith, por suborno, roubo, conspiração e lavagem.

Um dos esquemas mais usuais era o de inflar os preços dos contratos, e transferir posteriormente a diferença entre o valor real e o superfaturado para as contas bancárias de executivos e facilitadores —- pessoas que ajudavam a Gtech a obter tais contratos com os governos estaduais e no exterior.

Smith chegou a pagar de US$ 2 mil a US$ 10 mil a dez parlamentares do Texas para que eles votassem a favor de uma lei que criava o sistema de loterias online naquele estado. E por duas vezes a Gtech foi investigada pelo FBI por suspeitas de ligações com a máfia.

A empresa foi envolvida num escândalo recente na Grã-Bretanha, por ocasião da licitação da Loteria Nacional, a maior do mundo. Um concorrente, o multibilionário Richard Branson, acusou um dos fundadores da empresa, Guy Snowden, de ter tentado suborná-lo para sair do páreo. Snowden negou. Branson o processou por difamação e calúnia em 1998 e venceu o processo.

Em Taiwan, 8,3 milhões de bilhetes tipo raspadinha tiveram de ser recolhidos das lojas e das mãos do público, no ano retrasado, quando apostadores descobriram o código de segurança dos números vencedores. A loteria era gerida pela Gtech


26/02/2004

Fonte: O Globo

 

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