O Exército Brasileiro colocou na praça uma licitação estimada em R$ 19.977.500 para adquirir uma solução de equipamentos e programas capaz de processar inteligência artificial com unidades gráficas de alto desempenho, as GPUs. A contratação é conduzida pelo Centro Integrado de Telemática do Exército (CITEx), em Brasília, e aparece no Portal Nacional de Contratações Públicas com divulgação em 4 de novembro de 2026. Não há vencedor anunciado: a disputa ainda está na fase de propostas.
A notícia pode parecer apenas mais uma compra de computadores até se observar o objeto escolhido. Em vez de notebooks, impressoras ou ferramentas administrativas isoladas, o órgão pretende reunir hardware e software para processamento de IA em uma solução de tecnologia da informação e comunicação. O valor estimado é suficiente para colocar a infraestrutura de computação no centro de uma discussão que ultrapassa os quartéis: onde os dados serão tratados, quem poderá desenvolver modelos e que capacidade técnica ficará sob controle do Estado.
O edital identificado como Pregão Eletrônico nº 111/2026, de controle PNCP 00394452000103-1-023574/2026, pertence à unidade compradora 160091. O registro público indica disputa aberta e amparo na Lei nº 14.133/2021. Os documentos associados incluem termo de referência, estudo técnico preliminar e minuta contratual. Esses anexos são importantes porque a descrição resumida do portal ainda não informa, por si só, quantas GPUs serão entregues ou quais aplicações serão executadas.
Por que o Exército quer GPUs em vez de apenas computadores comuns
Quem utiliza inteligência artificial em um telefone vê uma resposta na tela; por trás dela, dezenas de bilhões de operações matemáticas podem ter sido necessárias para treinar ou executar os sistemas. As GPUs, originalmente popularizadas pelo processamento de imagens, trabalham com muitas operações paralelas. Essa característica as tornou peças centrais em treinamento de modelos, reconhecimento de padrões, análise de imagens e outros serviços de IA.
Para um órgão público, não basta comprar uma placa de vídeo e ligá-la à tomada. Equipamentos desse tipo precisam de servidores, armazenamento, rede, refrigeração, energia, programas de gerenciamento, segurança e equipes capazes de manter tudo funcionando. A própria descrição da contratação associa equipamentos físicos a softwares. O resultado desejado é uma solução integrada; o cadastro de um único item no pregão não equivale à compra de uma única máquina.
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