Congestionamento, buzinaço, estresse, arranca e para, e a agonia de se ver preso ao volante, atrasado para um compromisso ou para chegar em casa. Esse é o cotidiano de quem trafega pelo cruzamento da BR-116 com a Perimetral Norte - Avenida Ruben Bento Alves, em Caxias do Sul, que é considerado um dos principais gargalos de trânsito da cidade. A promessa é que, ainda neste ano, esse cenário comece a ser transformado.
Em passagem pela Serra em janeiro, o ministro dos Transportes, Renan Filho, confirmou a construção de um viaduto que permita o fluxo contínuo na rodovia e anunciou para abril a publicação do edital de licitação que irá selecionar a empreiteira responsável pela obra. O investimento previsto é de R$ 80 milhões.
O Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) ressaltou, nesta semana, que trabalha para que o prazo seja atendido. A elevada com pista dupla na BR-116 será acompanhada, em sua parte inferior, por uma rotatória de três faixas para organizar o tráfego da Perimetral Norte junto à rodovia federal e, desta forma, eliminar os semáforos do local.
Enquanto isso — e há muitos anos —, os motoristas enfrentam as dificuldades do trecho, que fica no km 147, próximo à delegacia da Polícia Rodoviária Federal (PRF) e que é essencial para acessar bairros como o Diamantino e para entrada e saída de trabalhadores em empresas da região. O caos se instala no local especialmente nos fins de tarde, entre 17h e 18h30min.
O chefe da PRF em Caxias do Sul, Jonatas Josué Nery, acredita que a elevada irá melhorar a trafegabilidade, especialmente em relação à confluência com a Perimetral Norte. Por outro lado, avalia que a infraestrutura da rodovia no trecho urbano da cidade está defasada. Em dias de maior fluxo, ele estima que o número de veículos passando pelo trecho da delegacia passe dos 60 mil.
— Já estamos muito atrasados pelo porte e pela pujança de Caxias do Sul. Já deveríamos ter essas obras há 20 anos no mínimo. É uma rodovia que a cada dia aumenta o trânsito, uma cidade que cresce. A BR-116 liga o norte ao sul do país, talvez a rodovia mais importante, e tem esse gargalo aqui. Eu digo que somos salvos pela RS-122: se não houvesse essa ligação para Caxias-Vacaria e Caxias-Porto Alegre, já tinha explodido a BR-116 — reflete.
A pedagoga especialista em trânsito e professora da UCS Maria Inês Tondello Rodrigues entende que a falta de fluidez no trânsito da BR-116 com a Perimetral se dá principalmente por um motivo: é um ponto de encontro de várias áreas da cidade que conta com sinalização por semáforos.
São dois conjuntos de sinaleiras em um perímetro de apenas 200 metros para orientar o tráfego de veículos e de pedestres no entroncamento com a Perimetral e, logo ao lado, na saída do Diamantino pela Rua Ângelo Muratore.
Um levantamento da PRF indica que, ao todo, há 16 semáforos em 12 quilômetros de rodovia entre a encruzilhada de Ana Rech e a rotatória com a Avenida São Leopoldo. A medida, que acaba travando o trânsito, é necessária porque a rodovia federal ainda está no mesmo nível de ruas adjacentes. No entroncamento com a Perimetral, a situação mudará com a construção do viaduto.
— O fluxo é constante e em horários de maior movimento tranca tudo e as pessoas não têm por onde se locomover, são poucas rotas alternativas. Aí abre o semáforo, libera um lado, mas o trânsito não é totalmente escoado. O semáforo é uma medida muito eficaz, mas ali temos congestionamento por causa da demanda veicular, não há condições de atende-la com tempo semafórico neste ponto — afirma a especialista.
Ela aponta que a elevada é a opção correta para melhoria, atendendo a uma necessidade antiga da região, uma vez que "a BR-116 une municípios", e o fluxo poderá escoar de forma mais leve, sistemática e organizada. Ao mesmo tempo, Mari Tondello cobra que o pedestre seja levado em consideração no projeto da elevada. Atualmente, há intensa circulação de pessoas a pé em paradas de ônibus, fazendo travessia e acessando estabelecimentos na beira da rodovia.
— É importante falarmos que uma mudança no espaço viário está relacionada com todo o entorno deste local. Nesse ponto será feita uma mudança muito positiva e necessária, mas muito invasiva. Isso vai demandar uma sinalização muito boa durante as obras, uma orientação e fiscalização para que todos os usuários passem a usar esse espaço de forma correta e segura. Sempre segurança em primeiro lugar — destaca.
Josué Nery, da PRF, tem expectativa de que essa seja a primeira de uma sequência de obras que são necessárias para recolocar a BR-116 em um trânsito adequado na cidade. Ele cita como o trecho urbano mais complexo, com risco elevado para atropelamentos e intenso congestionamento, o acesso à UCS.
Nos fins de tarde, é improvável concluir o trajeto da encruzilhada de Ana Rech à rótula da Avenida São Leopoldo em menos de 30 minutos, calcula o policial rodoviário.
A estrutura prevista
Viaduto BR-116 Caxias do Sul
Elevada vai facilitar entroncamento da BR-116 com a Perimetral Norte e acesso ao bairro Diamantino
- O objetivo central da obra é separar o fluxo de passagem da BR-116 do tráfego local que acessa bairros como De Lazzer e Diamantino.
- O viaduto foi inscrito no Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) a partir de um projeto elaborado pela prefeitura em 2023 e, desde então, passou por adequações técnicas coordenadas pelo Dnit.
- A BR-116 será elevada nos dois sentidos, mantendo pista duplicada, permitindo que o tráfego de longa distância siga sem interrupções. As faixas de rolamento terão 3,60 metros para garantir segurança em um viaduto em curva que recebe tráfego pesado, como caminhões e bitrens.
- O viaduto mantém a ideia de uma estrutura estaiada, com grande vão, e terá aproximadamente 500 metros de extensão. A solução técnica definitiva — se totalmente estaiada ou em balanço sucessivo, com pilares — ficará a cargo da empresa vencedora da licitação.
- Na parte inferior da estrutura, está prevista a implantação de uma rotatória de três faixas para organizar o acesso ao bairro Diamantino, no ponto onde hoje há semáforos, que deixarão de ser necessários.
- O projeto também prevê pistas laterais duplicadas para os acessos entre a Perimetral Norte e a BR-116. Quem sai da Perimetral em direção a Ana Rech seguirá por baixo do viaduto e acessará a pista principal após a unidade da PRF. No sentido oposto, o acesso à Perimetral ocorrerá por pista lateral próxima à PRF, garantindo maior fluidez e organização ao trânsito.
- De acordo com o secretário municipal de Planejamento e Parcerias Estratégicas, Marcus Vinicius Caberlon, se o edital de licitação for publicado em abril, o processo deve avançar ao longo do ano. A elaboração do projeto executivo pela empresa vencedora leva, em média, de 90 a 120 dias. Com isso, a assinatura do contrato pode ocorrer em setembro e a preparação do terreno e de fundações profundas começar entre outubro e novembro.
- O prazo de execução da obra deve variar entre 12 e 18 meses, dependendo das condições do solo e das estratégias adotadas para minimizar os impactos no trânsito durante a construção.
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