O interventor da Prefeitura do Rio no sistema BRT, Luiz Alfredo Salomão, anunciou neste sábado (6) que o município lançará em maio uma licitação para escolher uma nova operadora do sistema de corredores exclusivos de ônibus.
O prefeito Marcelo Crivella determinou a intervenção no fim de janeiro, alegando má prestação do serviço, e passageiros constantemente reclamam das condições dos coletivos – uma das manifestações foi na noite desta sexta-feira (5).
O interventor afirma que o Consórcio BRT põe menos ônibus que o combinado. “A Secretaria Municipal de Transportes estabeleceu um número. Eles estão operando com menos 30% dessa frota”, diz. “Então como é possível diminuir o intervalo entre ônibus e dar conforto aos passageiros se estão faltando 30% dos ônibus?”, indaga.
A prefeitura estima que a intervenção dure mais seis meses. “Se for necessário, pode ser prorrogada”, diz o representante da prefeitura.
O município também pretende reconstruir as pistas do BRT e estuda adaptar as estações a fim de reduzir o calote, já que muitos acessam os terminais pela pista. O beiral da de Mato Alto, em Guaratiba, foi demolido e deve dar lugar a uma plataforma.
Protesto
A manifestação desta sexta (5) na Estação Alvorada, na Barra da Tijuca, começou por volta das 18h. Passageiros fecharam as pistas e impediram a circulação nos corredores Transoeste, Transcarioca e Transolímpica. Os usuários cobravam melhorias nas condições de lotação e fim dos atrasos do transporte.
“Os protestos são justificáveis”, disse Salomão, que esteve com manifestantes nesta sexta.
“Todos os dias, o BRT só vem atrasado”, lamenta a diarista Ana Maria Sobreira. “Todos os dias os meus patrões entendem que eu chego atrasada, e eles entendem. Mas é todos os dias atrasado, sem ar-condicionado”, reitera.
O que diz o BRT
Em nota, o Consórcio BRT afirmou que, “em mais de dois meses de intervenção, nenhum resultado foi apresentado para melhoria do sistema”. “A intervenção dá claros sinais de seu caráter político, quando na verdade, deveria apresentar um projeto técnico”, diz a empresa.
“O que a prefeitura está fazendo agora e de forma tímida é reconhecer as próprias obrigações legais, previstas em contrato, e que o Consórcio BRT alerta há dois anos”, emenda. “É preciso combater o calote com efetividade, recuperar as pistas dos corredores exclusivos e reprimir o vandalismo nas estações”, destaca o consórcio.
“Quanto à nova licitação, a ideia da comissão de intervenção reforça, mais uma vez, o caráter político da medida tomada pela prefeitura”, frisa. “Já existe a certeza de buscar novos administradores, mas não existe um plano de ação para solucionar os problemas que o poder concedente negligenciou”, sublinha.
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