Petrobras atrai US$ 110 Mi de fornecedor italiano


Para desenvolver o pré-sal, a Petrobras está numa ofensiva para atrair fornecedores de equipamentos para o Brasil e anunciou ontem que a italiana Prysmian investirá US$ 110 milhões para produzir no país tubos flexíveis para produção submarina de petróleo e gás.
Em troca, a estatal assegurou a compra dos equipamentos da companhia por quatro anos. Com isso, convenceu a empresa italiana a entrar nesse novo segmento e produzir os tubos em fábrica no Espírito Santo.
A unidade receberá uma nova linha de produção, cuja inauguração está prevista para novembro. A iniciativa representa uma diversificação para a firma italiana, focada em fibras óticas e cabos de energia -produtos usados pela Petrobras para fornecer dados de equipamentos submarinos às plataformas.
Esse é o primeiro grande investimento que a estatal consegue trazer para o país. Mas cada vez mais a Petrobras se lança como instrumento de política industrial do governo e negocia contrapartidas em sua estratégia de compras.
Segundo o presidente da Petrobras, José Sergio Gabrielli, o objetivo da companhia é ampliar as compras no país e fomentar a cadeia de fornecedores. Para tal, criou recentemente metas de conteúdo local para cada tipo de "famílias de equipamentos". Antes, a meta era global por projeto de uma plataforma ou sonda de perfuração, por exemplo.
Gabrielli disse que existem segmentos de produtos que não têm escala e continuarão a ser importados. Mas em outros ramos há a possibilidade de estimular a instalação de empresas no país.
O executivo declarou que a escala de encomendas da Petrobras à indústria "offshore" (de produção e prospeção de óleo em alto-mar) não tem precedentes no mundo.
Citou a licitação para a construção de 28 sondas de perfuração no Brasil até 2018. Para garantir equipamentos para o pré-sal, a estatal arrendou dois estaleiros desativados.
Por isso, argumenta, é importante investir na cadeia de suprimentos e trazer empresas. O objetivo, diz, é evitar a chamada "maldição do petróleo" -valorização da moeda local em razão da enxurrada de dólares trazidos pelo petróleo, que sacrifica a exportação de demais setores.
De 2003 a 2009 (dado do primeiro semestre), a Petrobras ampliou o conteúdo local de suas encomendas de 57% para 75% -US$ 14,2 bilhões a mais em pedidos à indústria nacional. Tal prática, diz, pode ser replicada "por qualquer grande empresa brasileira".
Indagado se a política de compras no Brasil serve para a Vale, Gabrielli respondeu: "Vale para qualquer empresa, estatal ou não". A mineradora é alvo de críticas do presidente Lula.
Sobre o anúncio do IOF para controle de capitais, Gabrielli disse que a cobrança da alíquota de 2% de investidores estrangeiros em nada afeta a companhia nem os planos de capitalizar a empresa.


22/10/2008

Fonte: Folha de SP

 

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