O presidente dos EUA, Barack Obama, ordenou ontem reformas no sistema de contratação de empresas terceirizadas pelo governo que, estima, poderão economizar US$ 40 bilhões anuais nos cofres públicos americanos. O principal alvo de críticas de desperdício e fraude foram contratos do Departamento da Defesa.
"Os dias em que terceirizados da Defesa recebiam cheques em branco acabaram." Segundo Obama, os EUA vão, além de parar de terceirizar serviços que deveriam ser prestados pelo próprio governo, abrir processos de licitação a pequenas empresas e acabar com contratos sem licitação caros e desnecessários.
O presidente americano citou especialmente contratos feitos para serviços na Guerra do Iraque pelo governo de George W. Bush como exemplos de má gestão. Segundo ele, os custos com contratos terceirizados -que podem ir de serviços de lavanderia até segurança privada- dobraram para mais de US$ 500 bilhões nos oito anos do último governo.
A ação é parte da onda de revisões que Obama pretende fazer para conter a explosão do déficit orçamentário do país sob a crise, que deverá superar US$ 1,75 trilhão neste ano fiscal, que termina em outubro.
Comissão da verdade
Em outra iniciativa crítica ao governo anterior, o senador democrata Patrick Leahy, presidente da Comissão de Justiça do Senado, propôs oficialmente ontem criar uma comissão suprapartidária para investigar e expor abusos cometidos sob Bush em interrogatórios e detenções e desrespeito aos direitos civis na "guerra ao terror".
A ideia foi inicialmente rejeitada por legisladores republicanos, que temem que as averiguações caiam em disputas partidárias ou deem muito poder a democratas.
A pressão pela chamada "comissão da verdade" cresceu nesta semana após a divulgação de nove memorandos secretos que deram base legal aos principais excessos cometidos pelo governo Bush -como tortura em interrogatórios e escutas telefônicas sem mandado dentro dos EUA. Mais textos devem ser divulgados em breve.
Leahy sugeriu que a comissão tenha poder para intimar testemunhas e conceder imunidade judicial para eventuais confissões. "Acredito que, para restaurar nossa liderança moral, devemos admitir o que foi feito em nosso nome. Não podemos virar a página até que tenhamos lido a página."
Para os simpatizantes da ideia, os democratas ainda têm como alternativa recorrer a caminhos mais tradicionais -como audiências partidárias no Congresso. Os republicanos dizem preferir correr esse risco.
05/03/2009
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