Os ministérios públicos Estadual e Federal recomendaram ao Metrô e ao governo de São Paulo a anulação da licitação e do contrato para construir a linha 17-ouro --um monotrilho que, na primeira etapa, irá ligar o aeroporto de Congonhas à marginal Pinheiros.
Se a recomendação não for cumprida, os órgãos devem entrar com ação civil pública na Justiça. As obras já estão em andamento desde abril.
Promotores e procuradores de Justiça alegam que a licitação foi feita sem que houvesse um projeto básico, o que seria um passo obrigatório antes de escolher quem iria executar a obra, estimada em R$ 1,88 bilhão.
"O projeto básico é o elemento mais importante na elaboração e execução de obras públicas e suas deficiências podem gerar consequências deletérias e nefastas (...), como paralisação de obra, superfaturamentos e aditivos contratuais ilícitos."
O edital, dizem, "não tem detalhes suficientes das fundações, obras de contenção, pilares, vigas, passagens de emergência e da obra de arte viária da ponte do Panamby, um dos destaques do projeto".
De acordo com eles, a falta de detalhes torna "imprecisa a caracterização da obra com todos os seus elementos, a avaliação real de seu custo e a definição dos métodos e prazo de execução".
O principal argumento do governo e do Metrô é que não há necessidade de projeto básico, já que a contratação é na modalidade turn-key, na qual não se licitam fases de uma obra, mas o projeto todo. Ou seja, o governo diz que contratou o fornecimento de um sistema de monotrilho completo e que as obras são apenas um "acessório" da contratação.
Para os autores da recomendação, porém, os documentos apontam que as obras e serviços de engenharia correspondem a 61,14% do valor total do contrato, "desqualificando a alegação de que o fornecimento do sistema é o objeto principal da licitação".
O vencedor da licitação foi o consórcio Monotrilho Integração, liderado pelo grupo Scomi Engineering (Malásia), com as construtoras Andrade Gutierrez e CR Almeida.
COPA DO MUNDO
O primeiro trecho, de 7,7 km e oito estações, irá ligar o aeroporto à linha 9-esmeralda, da CPTM. A previsão é que esteja pronta no primeiro semestre de 2014, pouco antes da Copa do Mundo. O objetivo é facilitar o acesso de turistas à rede hoteleira do entorno da marginal Pinheiros.
O Ministério Público Federal entrou no caso porque o projeto tem financiamento federal, já que integra o programa de mobilidade da Copa.
Os órgãos recomendaram à Caixa Econômica Federal que suspenda o financiamento da obra. Em nota, o banco diz que "não entra no mérito do processo licitatório", que é de competência do Estado.
Diz, ainda, que, em relação à suspensão do contrato de financiamento, o Tribunal de Contas da União já ratificou anteriormente a posição da Caixa e "não considerou pertinente a recomendação".
O Ministério Público de São Paulo já havia feito a mesma recomendação em 2010, que não foi aceita pelo Metrô.
Em nota, a Secretaria dos Transportes Metropolitanos disse que recebeu a recomendação na quinta-feira passada e que "utilizará o prazo de 20 dias para analisar os documentos e se manifestar".
SUSPENSÃO
A concorrência já foi paralisada pela Justiça em dezembro de 2010, a pedido da Saviah (Sociedade de Amigos de Vila Inah), que, entre outros problemas, também apontava a falta de projeto básico. O governo conseguiu derrubar a liminar judicial apenas em julho de 2011.
25/06/2012
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