A nova diretoria do Instituto de Terras do Pará (Iterpa) decidiu, ontem, suspender a compra de móveis feita pela administração anterior. Além do caráter nebuloso do negócio, a respeito do qual a direção atual não tem qualquer informação - nem mesmo de quantidade e valor -, há o problema de a compra haver sido efetuada no final do governo passado, o que soa no mínimo estranho. Ontem mesmo um caminhão com um carregamento de móveis, vindo do interior de São Paulo, foi impedido de descarregar.
“Eu não vou receber esses móveis. Se fizesse isso, estaria convalidando um negócio que ignoro completamente. Eu não quero fazer pré-julgamentos, mas o fato é que não sei como se deu a condução do processo de compra”, disse ontem o presidente do Iterpa, Carlos Lamarão.
Lamarão acrescentou que foi elaborado um termo onde procura explicitar as razões da recusa em receber o carregamento e da suspensão do processo de compra, até que tudo seja esclarecido.
Carlos Lamarão lembrou que, ao assumir a presidência do cargo, todos os dirigentes da administração passada ou já haviam sido exonerados ou estavam de férias. Isso não só impediu que lhe fossem passadas informações de caráter administrativo, o que é praxe no serviço público, como impossibilitou até mesmo a nomeação de novos diretores. “Hoje mesmo nós tivemos a informação de que outro carregamento de móveis já está a caminho. Além dos aspectos duvidosos que envolvem esse processo, ainda temos o problema de espaço físico”, explicou.
O presidente do Iterpa disse que esses móveis teriam sido comprados, segundo versões que circulam entre os funcionários, para mobiliar a nova sede do Instituto. “Acho estranho alguém comprar móveis novos antes de comprar a casa”, alfinetou Carlos Lamarão, destacando que, até onde ele sabe, só havia mesmo, no governo passado, intenção de adquirir sede própria para o Iterpa, mas não um projeto de compra ou construção do imóvel. “Um processo assim costuma ser complexo e demorado”, assinalou.
Foi essa inversão de prioridades - a compra de novo mobiliário para uma nova sede inexistente, e em plena mudança de governo - que levou a direção atual do Iterpa adotar uma postura de cautela extrema em vista do negócio. Alguns móveis, que vieram a Belém antes da mudança de diretoria, chegaram a ser montados na sede atual. O mobiliário substituído, em bom estado de conservação, está hoje jogado na garagem de veículos do prédio.
ANTES DA CASA
Carlos Lamarão diz não ter sido esclarecido pela administração anterior sobre as compras feitas no final do mandato.
Segundo versões que circulam entre os funcionários, os móveis seriam para mobiliar a sede própria do instituto, que nunca chegou a ser negociada.
18/01/2011
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