Fonte Nova custará quase R$ 100 milhões a mais


Próxima arena da Copa-2014 a ser inaugurada, a Fonte Nova custará R$ 97,7 milhões a mais do que o previsto --e a conta será paga pelo governo da Bahia. Oito aditivos contratuais, que envolvem mudanças do gramado aos assentos, farão o valor subir de R$ 591,7 milhões para R$ 689,4 milhões --entre os cinco mais altos do Mundial.
O consórcio responsável pela construção e gestão da arena, formado por Odebrecht e OAS, diz que as mudanças se devem às "novas exigências técnicas da Fifa" e que o contrato da PPP (parceria público-privada) da Fonte Nova previa aportes do governo neste tipo de caso.

Porém, na época da licitação da arena, em 2009, o governo do Estado apontava justamente a suposta ausência de aditivos como uma das principais vantagens da PPP.
"O valor do investimento é fixo. O setor privado ficará responsável pelo financiamento", anunciava o governo em julho de 2010.
A Fonte Nova é um dos cinco estádios da Copa (os outros são em MG, CE, PE e RN) erguidos por meio de PPP, modelo em que o setor privado financia e executa a obra em troca da concessão.

Na prática, o dinheiro público já vem bancando mais de 60% das obras desses estádios --o setor público toma empréstimos e repassa aos concessionários. Órgãos como o Ministério Público Federal dizem que isso desvirtua o modelo de PPP.

Na Fonte Nova, o Estado tomou R$ 323,6 milhões do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) para repassar às empresas, e emprestou outros R$ 50 milhões para a demolição do antigo estádio -- fechado após queda de pedaço de arquibancada, em 2007, que matou sete pessoas.

O governo da Bahia diz que o pagamento dos R$ 97,7 mi adicionais será uma indenização às empresas em razão de pedidos extras da Fifa.
E haverá mais desembolsos de dinheiro público: a instalação de uma arquibancada provisória para 5.000 pessoas, pensada quando Salvador pleiteava a abertura da Copa e precisava elevar a capacidade da arena, levará a gestão Jaques Wagner (PT) a gastar mais R$ 11,4 milhões.
A previsão é de que se desembolse única parcela em 30 de junho, data da final da Copa das Confederações. A inauguração da arena é no dia 7. Apenas outros dois estádios foram abertos: Castelão (CE) e Mineirão (MG).


29/03/2013

Fonte: Folha de São Paulo

 

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