CPTM inabilita empresas e retoma licitação para auditoria de contas da estatal


A CPTM – Companhia Paulista de Trens Metropolitanos retomou a concorrência para escolher uma empresa que vai fazer uma auditoria nas contas da estatal referente ao período de 2019 e 2020.

O procedimento de licitação tinha sido aberto em 02 de setembro, com entrega de propostas marcada para o dia 12, conforme noticiou o Diário do Transporte.

https://diariodotransporte.com.br/2019/08/30/cptm-abre-licitacao-para-auditoria-independente-nos-balancos-financeiros/

Entretanto, uma das participantes, a empresa Mazars Auditores Independentes, foi inabilitada, o que fez com que a sessão pública de análise de propostas, que é eletrônica, fosse suspensa.

A retomada ocorre no próximo dia 14 de novembro.

Em geral, no setor de transportes, auditoria em contas, além de verificarem os balanços financeiros básicos, analisam fatores como desperdícios no uso de insumos para operação, possibilidades de fraudes em bilhetagem, evasão de tarifas e variações na demanda de passageiros e seus motivos.

Como mostrou o Diário do Transporte, um dos grandes problemas enfrentados pela CPTM no aspecto jurídico e financeiro é com fraudes no Bilhete Único.

A reportagem informou que a companhia de trens, por meio da juíza Carolina Martins Clemencio Duprat Cardoso, da Vara da Fazenda Pública, notificou a SPTrans sobre eventuais fraudes no sistema do Bilhete Único.

De acordo com o despacho da juíza, de 26 de abril, sobre a notificação extra-judicial da companhia de trens, publicado em 30 de maio no Diário de Justiça Eletrônico, a CPTM alega que identificou “diversos riscos relativos à forma como ocorre o controle de informação no âmbito do SBE [Sistema de Bilhetagem Eletrônica], de responsabilidade da notificada.”

O Diário do Transporte também mostrou que a CPTM – Companhia Paulista de Trens Metropolitanos registou em todo o ano de 2018 perdas de R$ 192 milhões decorrentes do sistema do Bilhete Único gerido pela SPTrans – São Paulo Transporte e uma das principais suspeitas é de que esta redução de receita nas vendas de créditos tenha sido ocasionada por fraudes no sistema de bilhetagem eletrônica.

O dado faz parte do Relatório de Administração da CPTM – 2018, de 18 de março deste ano, ao qual o Diário do Transporte teve acesso.

O documento ainda diz que a CPTM estima que de R$ 1,59 bilhão em créditos do Bilhete Único que estão em poder dos passageiros, em torno de R$ 240 milhões são de usuários em potencial da estatal de trens.

O que chamou a atenção da CPTM é que a perda de recursos pelo Bilhete Único ocorre mesmo com o aumento de 4,3% no número de passageiros transportados em 2018 em relação ao ano de 2017, entre todas as entradas no sistema.

Foram transportados 863,3 milhões de passageiros em 2018. A média de passageiros por dia útil aumentou 4,6%, fechando o ano de 2018 com 2,9 milhões de registros.

Segundo o relatório, os sistemas de bilhetagem eletrônica, das quais o Bilhete Único é o maior, representaram 73,5% do total da receita bruta de prestação de serviços de transportes da CPTM em 2018.

Assim, para a CPTM pareceu pouco lógico aumentar o número de passageiros e haver perdas pelo Bilhete Único.


08/11/2019

Fonte: Diário do Transporte

 

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