Começou a corrida pelo 4G no Brasil. A Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) publicou no fim de abril o edital para a licitação da rede de internet móvel da chamada quarta geração da telefonia (4G) que é até dez vezes mais rápida do que as tecnologias 3G usadas em smartphones e tablets hoje.
As operadoras de celular terão até a primeira semana de junho para elaborar propostas para o leilão e, caso vençam, precisarão cumprir exigências para construir a infraestrutura necessária no prazo exigido. O plano é que tudo esteja funcionando até abril de 2013, dois meses antes da Copa das Confederações.
Mas há problemas. O primeiro é que o serviço não será barato. “Há avaliações de que no começo o 4G vai ser caro, mesmo por conta da pouca escala e pouco equipamento”, disse o ministro das Comunicações, Paulo Bernardo. “Mas em compensação é provável que o 3G fique mais barato.”
O governo também acredita que o preço de voz e dados cairá muito rapidamente. A culpa será da concorrência, já que a previsão é de que haverá pelo menos três operadoras para cada capital-sede da Copa. “Eles (as operadoras) vão sair no tapa, vai ser tudo resolvido no mercado”, diz Bernardo.
Sobre o preço, a avaliação das operadoras e do governo é de que, no início, os custos extras com infraestrutura serão repassados ao consumidor e a internet móvel vai ficar mais cara. O presidente da TIM, Luca Luciani, concorda com o ministro. “Os preços dos aparelhos 3G caíram brutalmente em dois anos. Vai acontecer a mesma coisa com o 4G quando este mercado for criado”, disse.
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A segunda questão é em relação à velocidade. O que se convencionou chamar de 4G, na verdade, ainda não é exatamente uma “nova geração”. O 4G ideal, que abriga padrões tecnológicos com nomes como HSPA+ Advanced e LTE Advanced e podem chegar a 1 Gbps (dez vezes mais que o 4G atual), deve chegar só em 2013.
Os primeiros países do mundo a incorporar a tecnologia Long Term Evolution (LTE) foram Noruega e Suécia, que optaram pela faixa de 2,5 GHz. A frequência é uma decisão técnica, mas também política, pois por ela se define o público atingido e a finalidade. Quanto mais alta é a frequência, menor é a cobertura de uma antena e maior será a capacidade de transmitir dados. Assim, a opção pelas faixas de 2,5 GHz e 450 MHz se explica pela intenção de atender os grandes centros urbanos (com uma demanda muito grande por dados) e zonas rurais (grandes áreas, menos habitadas).
Diferente desse padrão é a faixa de 700 MHz, adotada principalmente pelos EUA, e apontada como o meio-termo mais conveniente para o 4G. Essa diversidade de frequências, no entanto, pode criar problemas, já que celulares e modems são fabricados para atender faixas específicas.
Após anunciar o novo iPad, com conexão 4G, a Apple foi acusada de propaganda enganosa pelos australianos, que não conseguiram fazer a conexão funcionar. O tablet foi feito para atender as frequências de 700 MHz e 2,1 GHz. O detalhe é que, na Austrália, a faixa do 4G é a de 1,8 GHz, porque, assim como no Brasil, lá a faixa de 700 MHz é ocupada pela TV analógica.
“Pelo que sei, o governo brasileiro já estuda formas de fazer o ‘apagão analógico’ acontecer bem antes de 2016”, disse Erasmo Rojas, diretor da associação 4G Americas.
Desafios
Durante os eventos esportivos, o setor privado já prevê problemas por causa dos padrões, já que muitos aparelhos não funcionarão na rede brasileira e haverá pouca oferta de aparelhos compatíveis.
“Colocar a rede no ar utilizando as antenas existentes é um processo rápido. O problema é completar os buracos de cobertura e ter dispositivos 4G disponíveis a preços acessíveis”, disse Eduardo Tude, presidente da consultoria Teleco. “O 4G na Copa é mais uma questão de marketing pois poucos turistas terão aparelhos 4G na frequência de 2,5 GHz.” Ele aposta em HSPA+ (uma tecnologia intermediária, apelidada de 3,5G) e na cobertura com Wi-Fi para eliminar congestionamentos de dados.
07/05/2012
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