Além de usar a Light para entrar em Belo Monte, a Cemig também estuda adquirir uma participação direta na sociedade e com isso ter ao todo 10% do empreendimento. A estatal mineira deve comprar os 5% que estão hoje nas mãos das construtoras OAS e Queiroz Galvão e a Light, onde a Cemig é principal acionista, fica com os 5% das pequenas construtoras ainda sócias da usina hidrelétrica de Belo Monte. Se fechar a sociedade, a estatal vai se comprometer com um investimento da ordem de R$ 3 bilhões.
O negócio está sendo avaliado pela diretoria de Desenvolvimento de Negócios, hoje sob o comando da Andrade Gutierrez, detentora de 33% da Cemig. A Andrade é a líder do consórcio construtor da usina hidrelétrica de Belo Monte. Essa será a primeira grande obra do setor elétrico em que a empreiteira sai da sombra de suas concorrentes Camargo Corrêa e Odebrecht. Em Santo Antônio, megausina que está sendo construída no rio Madeira, a Andrade é sócia da Odebrecht na construção e ainda sócia da concessionária que também tem a participação da Cemig.
A entrada da Cemig em Belo Monte, direta e indiretamente, vai lhe render mais de mil megawatts de capacidade instalada e 440 MW de energia para ser comercializada. Segundo um executivo da estatal mineira, que não quis se identificar, a expectativa é que a avaliação da entrada da empresa no negócio seja concluída entre 30 e 60 dias. "Essa discussão surgiu há três ou quatro meses. A Andrade vê como um bom negócio. O que precisa ser equacionado é o retorno desse possível investimento", afirma o executivo.
No inicio do processo de Belo Monte, a Cemig cogitou participar do leilão de licitação da usina, mas acabou recuando. De acordo com o executivo da empresa, o que mudou agora é que "as condições melhoraram e estão muito mais claras".
O investimento total previsto na usina está em torno de R$ 26 bilhões, com praticamente todos os contratos fechados. O BNDES já concedeu um empréstimo ponte de mais de R$ 1 bilhão e a energia livre, 20% dos 4.400 megawatts (MW) que estão livres para ser vendido no mercado tem um contrato de opção de venda para empresas da Eletrobras. A estatal federal, direta e indiretamente, tem pouco menos que 50% do negócio. Ela tem 15%, enquanto a Eletronorte em 19,98% e a Chesf tem mais 15%.
A Neoenergia, que tem a Previ como principal sócia, tem 10%, os fundos de pensão Petros e Funcef têm, cada um, também 10%. Como autoprodutores, a Vale participa com 9% e a Sinobras, com 1%. A Vale também não fez parte do consórcio original que venceu a licitação.
15/08/2011
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