Caixa pretende retomar obras de centro cultural de Porto Alegre em 2020


Já são quase dez anos desde que se estimou uma possível data de entrega do Centro Cultural da Caixa, idealizado para ocupar prédio histórico encravado no coração do Centro Histórico de Porto Alegre. De lá para cá, muitos entraves impediram as obras no edifício que abrigou o Cine Imperial, na Praça da Alfândega. Agora, a Caixa espera retomar os trabalhos no local no primeiro semestre de 2020.

O acordo entre a prefeitura da Capital e o banco para a instalação do complexo cultural é ainda mais antigo, de 2008. O último contrato, firmado em 2015 entre a Caixa e a Portonovo Empreendimentos, foi rescindido em setembro de 2017, por descumprimento de cláusulas contratuais.

Um dos empecilhos para o andamento da obra foi a descoberta de uma rocha abaixo da construção, o que demandaria cuidados especiais para evitar o desabamento do prédio e danos em estruturas vizinhas. Questionada pela reportagem do Jornal do Comércio, a Caixa não esclareceu sobre a situação atual envolvendo a pedra.

No local, apesar dos tapumes coloridos que cercam a entrada do prédio, indicando que algum trabalho está sendo executado, o cenário é de abandono. Comerciantes de lojas próximas contam que "há muito tempo" não se vê movimentação por ali. Pelas frestas do tapume, é possível ver estacas sustentando parte da fachada e muito lixo acumulado.

Em nota, o banco informou que está finalizando a revisão dos projetos para licitação que definirá uma nova empresa responsável pela execução dos trabalhos. A Caixa não respondeu sobre atualização de valores e sobre a necessidade de novos recursos para a retomada do empreendimento.

O Edifício Imperial foi construído entre 1931 e 1933, no calçadão da Rua da Praia, e foi um dos primeiros arranha-céus de Porto Alegre. Com ares da arquitetura art déco, a edificação foi desenhada por Egon Weindorfer e Agnello Nilo de Lucca. Em 2014, o prédio (que é de propriedade do município) foi tombado como patrimônio histórico da Capital.

O projeto da revitalização, orçado em R$ 38 milhões na época, prevê cinco pavimentos para o Centro Cultural, incluindo teatro no térreo, museu, salas de exposições, cafeteria, livraria, espaço multiuso, salas de ensaio e miniauditório. Para a prefeitura, seriam destinados oito andares, onde se instalaria a Secretaria Municipal de Porto Alegre, hoje abrigada na Casa Torelly, na avenida Independência.

Procurada pela reportagem a respeito de novidades envolvendo a obra, a pasta municipal respondeu, por meio da assessoria de imprensa, que aguarda novas definições por parte do banco para saber do futuro do Centro Cultural.


03/10/2019

Fonte: Jornal do Comércio

 

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