O governo decidiu adiar para abril do próximo ano o leilão de concessão do trem-bala entre Campinas/SP e Rio de Janeiro. A entrega das propostas, programada para o dia 29/11/2010, foi adiada para 11 de abril de 2011 e o leilão, que ocorreria em 16 de dezembro, passou para 29 de abril de 2011. O Trem de Alta Velocidade (TAV), conhecido como trem-bala, é um projeto do governo federal que ligará o Rio de Janeiro a Campinas, passando por São Paulo. Complementará a infraestrutura de transportes do Brasil e ajudará na locomoção durante a Copa do Mundo de 2014 e na Olimpíada de 2016. Contudo, após atrasos para elaboração do projeto, reclamações, tanto por parte do Ministério Público quanto de empresas privadas sobre a viabilidade do projeto, o governo já descarta a utilização da estrutura mesmo em 2016. Enquanto isso, a China e o Laos começarão no próximo ano a construção da linha ferroviária para o primeiro trem de alta velocidade entre os dois países. A linha anunciada conectará a cidade de Kunming, no sudeste da China, a Cingapura, passando por Laos, Tailândia e Malásia.
A China já construiu uma rede ferroviária interna, com trens de alta velocidade, que em novembro deste ano somava 7.531 quilômetros. Até 2020, os chineses planejam expandir a rede ferroviária para 16 mil quilômetros. No Brasil, segundo a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), o trajeto do TAV terá 91 km de túneis, 108 km de pontes e viadutos e a receita operacional bruta será de R$ 192,7 bilhões durante a vigência do arrendamento, por 40 anos. A primeira ideia do governo, apresentada em 2007 dentro das obras do Plano de Aceleração do Crescimento (PAC), era de que a construção da linha do trem-bala começaria em 2008. O plano era que o trem saísse da Central do Brasil, no Rio, e passasse pela Estação da Luz, em São Paulo e chegasse ao aeroporto de Viracopos, em Campinas. Àquela altura, o trem-bala era orçado em US$ 9 bilhões.
Em 2009, o governo anunciou a intenção de incluir paradas para o trem-bala no trajeto entre o Rio e São Paulo. As estações seriam localizadas em Campinas, no aeroporto internacional de Guarulhos e em São José dos Campos. Às vésperas da licitação, o projeto foi questionado pelo Ministério Público, que pediu a suspensão do processo. Um dos problemas apontados pelo órgão foi a imprecisão da estimativa de custos da implantação do trem, orçado em R$ 34 bilhões - aumento de 100% em comparação com previsão de R$ 17 bilhões apresentada há três anos. Aos poucos, o trem-bala está parando nas estações da burocracia nacional ou enguiça por conta da prolixa legislação que temos. Segundo estudo de uma consultoria inglesa encomendado pelo governo, a ligação entre Rio de Janeiro e São Paulo seria feita pelo trem-bala em 93 minutos, com a velocidade máxima de 350 km/h. O percurso atravessa terrenos com obstáculos naturais e terá túneis e pontes. Segundo o Bndes, o TAV deverá transportar, inicialmente, 32 milhões de passageiros por ano e gerar receitas totais de mais de R$ 2 bilhões anuais. O prazo de implantação previsto é de seis anos e a tarifa máxima para o bilhete básico seria de R$ 246,00. Teremos mesmo o trem-bala?
13/12/2010
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