Se a Câmara Municipal de Belo Horizonte já tivesse realizado a licitação para a compra de combustível e estabelecido a cota de R$ 800 por mês para cada vereador, apenas dez dos 37 vereadores que utilizaram a verba cumpririam a meta. Desde o início do ano, quando começaram as discussões para a adoção de um sistema centralizado de licitação, a Casa gastou R$ 252 mil para abastecer os veículos dos parlamentares.
A proposta da Comissão Especial criada para definir as licitações é que cada vereador teria um carro com motorista, com o direito a R$ 800 para gastos com combustível. O valor é um terço do atualmente disponível para a compra individual.
Com a demora para a extinção da verba indenizatória, os vereadores continuam recebendo a restituição da compra de combustíveis. Nos cinco primeiros meses de 2015, usaram valores suficientes para dar 19 voltas na Terra, ou, caso houvesse uma estrada para tal, ir e voltar até a Lua.
Os vereadores afirmam que o fim da verba indenizatória e o sistema de licitação vão alterar a forma como seus gabinetes trabalham. “Vou mudar meu perfil de atuação, já que esses gastos eram para que eu e meus funcionários atendêssemos a população e para atividades de liderança do partido na Casa. Vou migrar para a utilização dos Correios para manter o contato com os eleitores”, reclama Bim da Ambulância.
Neste ano, os maiores consumidores de combustível até então foram Gilson Reis (PCdoB), Bim da Ambulância (PTN), Henrique Braga (PSDB), Doutor Nilton (PROS) e Alexandre Gomes (PSB). Henrique Braga ainda pode assumir o topo do ranking se mantiver a média anual de gastos. Ele ainda não apresentou os dados do mês de maio.
Braga se recusou a comentar os gastos por telefone. Ele informou apenas que, no seu gabinete, cinco carros são autorizados a abastecer com a verba. Já Gilson Reis avalia negativamente a mudança. “Vamos ter prejuízos no mandato. Ou vamos ter que complementar esse custo com dinheiro nosso, ou diminuir a atuação parlamentar”.
O gasto com combustíveis é o segundo maior dos vereadores, sendo de R$ 3 milhões só no atual mandato. A divulgação de atividade parlamentar, com R$ 5,77 milhões, ocupa o primeiro lugar.
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Discussão. A Câmara já publicou a contratação centralizada dos Correios para fazer serviços postais que cada vereador pagava com a verba. O mesmo acontecerá com materiais de escritório.
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