Florianópolis - O governo do Estado de Santa Catarina voltou atrás na primeira tentativa de reforçar o caixa com R$ 300 milhões através da licitação da conta salário dos servidores públicos estaduais, administrada atualmente pelo Banco do Estado de Santa Catarina (Besc). Há três semanas, a Companhia de Águas e Saneamento (Casan) lançou um edital de licitação para negociar a conta da estatal com outros bancos, mas o processo foi adiado por 30 dias na última quinta-feira, depois de divergências entre governos estadual e federal.
O secretário estadual da Fazenda, Max Bornholdt, disse que este é "um gesto de boa vontade" condição sugerida pelo próprio governo federal para voltar a negociar os pleitos de Santa Catarina. "A decisão foi política", afirmou Bornholdt.
Segundo ele, o governo estadual quer continuar o diálogo com a União. "Não é porque temos uma posição antagônica que não podemos continuar conversando". Para o presidente da Casan, Walmor de Luca, a medida é uma prova de boa vontade do governo de Santa Catarina para que as negociações sejam aprofundadas numa série de pleitos. "O governo Federal entendeu que o pleito era uma atitude hostil de Santa Catarina para com o Besc". Segundo Walmor de Luca, a Casan não encontra reciprocidade no Besc. "Em nenhuma circunstância o banco socorreu a empresa." afirma.
Na reunião com o Ministério da Fazenda, ocorrida na última quarta-feira, o secretário executivo Bernardo Appy, disse ao governador em exercício, Eduardo Pinho Moreira (PMDB) e a Bornholdt que o governo Federal poderia examinar o pleito do Besc e o da venda dos títulos federais do Instituto de Previdência de Santa Catarina (Ipesc) - avaliados em R$ 1 bilhão - com "maior empenho" se o governo catarinense desse um gesto de boa vontade, como suspender o edital da Casan.
"Temos um relacionamento bom com o Ministério da Fazenda e com a Secretaria do Tesouro e com o próprio Besc, embora diversos pleitos apresentados pelo governador licenciado Luiz Henrique da Silveira (PMDB) não foram atendidos e sequer respondidos", disse Bornholdt. Segundo ele, o governo passou os últimos três anos sem o auxílio da União, mas isso não significa que não poderá ser atendido nos próximos meses.
24/04/2006
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