Apesar do decreto de calamidade por conta da crise financeira que atravessa, o governo do Rio de Janeiro manteve a licitação para a compra de alimentos para o Palácio Guanabara, residência oficial do estado. Mas o que mais chamou a atenção na lista do supermercado do governo Francisco Dornelles foi o pedido de 60 quilos de framboesa e mirtilo, o que, no documento, custaria R$ 9.263 aos cofres públicos.
Conforme apontou a rádio CBN, há outros artigos considerados nobres, que dificilmente iriam para a mesa de uma casa endividada. Parece até piada, mas o robalo, cujo quilo é estimado em R$ 63, é um dos peixes preferidos do governo. Nas carnes vermelhas, o filé mignon e a picanha aparecem em maior quantidade. A soma dos dois cortes solicitados dá 360 quilos.
Segundo o governo do estado, os produtos são para "atender às necessidades" dos gabinetes do governador interino Francisco Dornelles e dos secretários que trabalham no Palácio Guanabara.
O edital foi publicado no dia 8 de junho. À CBN, o advogado e professor de Direito Administrativo e Gestão do Ibmec, Jerson Carneiro, diz que a comprar desses alimentos não é ilegal, mas demonstra o descaso do poder público com a situação geral do estado.
“O exemplo, ele deve vir dos gestores públicos. É um gesto simbólico. E se não for feito isso será um acinte a inteligência do cidadão carioca. Porque demonstra por parte do gestor público estadual a ausência do controle interno da administração”, comentou.
Por fim, a Secretaria de Fazenda do Rio de Janeiro prevê um déficit de aproximadamente R$ 20 bilhões para 2016.
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