A Prefeitura de São Paulo, sob coordenação da Secretaria Municipal de Urbanismo e Licenciamento (SMUL) e com execução da São Paulo Urbanismo, lança, nesta terça-feira (18), o edital para contratação integrada do Programa Nova Paraisópolis, dando início à maior intervenção urbanística já planejada para o Complexo Paraisópolis. A licitação contempla a elaboração dos projetos básicos e executivos e a realização das obras de infraestrutura, habitação, saneamento, mobilidade e equipamentos públicos nos núcleos de Paraisópolis, Jardim Colombo e Porto Seguro, com valor estimado de aproximadamente R$ 2,33 bilhões. Acesse aqui o edital.
Os investimentos serão prioritariamente financiados com recursos da Operação Urbana Consorciada Faria Lima (OUCFL). Do total previsto no edital, cerca de R$ 1,67 bilhão são provenientes do leilão de Certificados de Potencial Adicional de Construção (CEPACs) realizado em agosto de 2025, cuja arrecadação foi destinada integralmente ao Complexo Paraisópolis.
As intervenções foram divididas em três lotes: Porto Seguro e Jardim Colombo; Paraisópolis Noroeste e Paraisópolis Sudeste. Cada contrato terá vigência de 48 meses, contados a partir de sua assinatura. A divisão dos lotes foi estruturada a partir das sub-bacias hidrográficas da região. O modelo permitirá integrar as obras de macrodrenagem, canalização de córregos e saneamento dentro de cada sistema hídrico, reduzindo interferências entre as diferentes frentes de trabalho e garantindo maior continuidade às intervenções.
As obras serão executadas pelo regime de Contratação Integrada, no qual a empresa ou consórcio contratado ficará responsável pelo desenvolvimento dos projetos básicos e executivos e pela execução das intervenções. A licitação adotará o critério da melhor combinação de técnica e preço, considerando, além da experiência das empresas e das equipes, o conhecimento das características urbanísticas e sociais de Paraisópolis e as estratégias para execução das obras em um território densamente ocupado.
O Programa Nova Paraisópolis está estruturado em três grandes eixos: infraestrutura urbana, habitação e equipamentos públicos, reunindo intervenções capazes de transformar de forma integrada um dos maiores territórios de interesse social de São Paulo.
Mobilidade, saneamento e novos espaços públicos
Na área de infraestrutura urbana e mobilidade, uma das principais intervenções será o prolongamento da Avenida Hebe Camargo, criando uma ligação direta entre Paraisópolis e a Estação São Paulo-Morumbi do Metrô e reduzindo o tempo de deslocamento dos moradores de aproximadamente 45 para 15 minutos.
Também serão requalificados 40,9 quilômetros de ruas e vielas, sendo 19,4 quilômetros de vielas e 21,5 quilômetros de vias, com enterramento da rede aérea, arborização e melhorias nas condições de circulação, ventilação urbana e saneamento.
O programa também prevê a implantação de redes de água tratada e esgoto para cerca de 33,2 mil famílias, a conclusão da canalização dos córregos Antonico e Itararé e a criação de dois parques lineares.
As intervenções deverão incorporar soluções baseadas na natureza, ampliar as áreas verdes e permeáveis e contribuir para reduzir alagamentos e qualificar os espaços públicos.
Moradia e permanência das famílias no território
No eixo habitacional, os recursos permitirão concluir os empreendimentos Sanfona e Vila Andrade, totalizando 812 unidades habitacionais. Em etapas posteriores, o programa prevê ainda a construção de 2.000 novas moradias, priorizando o atendimento a famílias que vivem atualmente em áreas de risco.
Um dos princípios estabelecidos para o planejamento das intervenções é buscar a permanência das famílias no próprio território. O edital determina que as empresas apresentem estratégias de faseamento das obras articuladas às etapas de remoção, liberação de áreas e reassentamento, de forma a minimizar deslocamentos para fora de Paraisópolis e reduzir a necessidade de soluções habitacionais provisórias.
Saúde, educação, esporte e desenvolvimento social
A frente de equipamentos públicos prevê a construção ou reforma de equipamentos distribuídos pelo Complexo Paraisópolis.
Na saúde, o complexo localizado na Avenida Hebe Camargo será ampliado com a implantação de uma UPA 24 horas e de um novo Centro de Atenção Psicossocial (CAPS), além da reforma das UBSs existentes na região.
Na educação, estão previstas a implantação de duas Escolas Municipais de Ensino Fundamental (EMEFs) e três Escolas Municipais de Educação Infantil (EMEIs).
O programa também contempla um Centro Esportivo e Educacional de aproximadamente 16 mil metros quadrados, com piscina olímpica, quadras poliesportivas e espaços voltados a atividades educacionais.
Na área de cultura, lazer e desenvolvimento social, está prevista a implantação de um grande polo cultural, esportivo e ambiental no setor do Grotão e da Praça da Paz, integrando equipamentos públicos, organizações da sociedade civil e um Centro de Oportunidades voltado ao empreendedorismo e à qualificação profissional.
No Jardim Colombo será construído um Complexo Multiuso, reunindo centro cultural, centro esportivo, unidade de educação infantil e praça pública. O programa também prevê a implantação de um Armazém Solidário, oferecendo alimentos com descontos para famílias inscritas no CadÚnico.
Além das obras, os projetos deverão incorporar critérios de sustentabilidade, ampliação de áreas verdes, soluções baseadas na natureza e tecnologias construtivas mais eficientes, promovendo uma transformação urbana integrada e mais resiliente às mudanças climáticas.
Obras na região avançam nos últimos cinco anos
O Programa Nova Paraisópolis dá continuidade a um ciclo de investimentos municipais desenvolvido no território desde 2021.
Na educação e no esporte, o CEU Paraisópolis/Profª Marisa Motta foi revitalizado, com foco no complexo aquático e nas quadras esportivas, com investimento de R$ 14 milhões. Já o Complexo Esportivo e Educacional Prof. Gabriel Mário Rodrigues recebeu R$ 19,6 milhões e passou a atender mil crianças de até 3 anos de quatro creches da região.
Na habitação, 413 apartamentos foram entregues nos conjuntos Vila Andrade E1 e E2, com investimento de R$ 93 milhões. No combate às enchentes, as obras de canalização, drenagem e urbanização do Córrego do Antonico somam R$ 415 milhões em contratos, com a remoção de 1.323 famílias de áreas de risco. O piscinão da Praça Roberto Gomes Pedrosa, com capacidade para 133 milhões de litros, segue em obras.
Em 2021, foi inaugurado o Parque Municipal Paraisópolis/Lorival Clemente da Silva, com R$ 2,9 milhões investidos em área de lazer e convivência para a população.
Na saúde, quatro UBSs e dois CAPS foram implantados desde 2021, além de AMAs e serviços de especialidades pediátricas no Campo Limpo. Na segurança alimentar, Cozinhas Solidárias passaram a servir mais de mil refeições por dia e o Programa Cidade Solidária distribuiu mais de 3,7 mil cestas básicas.
No atendimento a famílias e jovens em situação de vulnerabilidade, foram abertas 1.360 vagas de acolhimento. Na regularização fundiária, 954 títulos de propriedade foram entregues a moradores.
No eixo ambiental, foram licitadas as obras do Parque Itapaiúna, que contará com aproximadamente 48 mil metros quadrados de áreas verdes e espaços de lazer, ampliando as áreas públicas de convivência e preservação ambiental na região.
Da Faria Lima a Paraisópolis
A engrenagem financeira que viabiliza o programa foi fortalecida pela Lei Municipal nº 18.175/2024, que ampliou o perímetro da Operação Urbana Consorciada Faria Lima e incluiu o Complexo Paraisópolis entre as áreas beneficiadas pelos investimentos da Operação.
Em agosto de 2025, a Prefeitura realizou o primeiro leilão da 6ª distribuição de CEPACs da OUCFL, que resultou na venda de 94,8 mil títulos e na arrecadação recorde de R$ 1,668 bilhão. A Prefeitura decidiu direcionar integralmente os recursos obtidos nesse leilão para intervenções no Complexo Paraisópolis.
Na prática, os recursos gerados pela valorização imobiliária e pela venda de potencial adicional de construção na região da Faria Lima são revertidos em investimentos estruturantes em Paraisópolis, Jardim Colombo e Porto Seguro, financiando obras de habitação, saneamento, mobilidade, infraestrutura e equipamentos públicos.
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