Assessora direta da governadora Yeda Crusius (PSDB-RS), Walna Vilarins Menezes foi apontada em inquérito da Polícia Federal como "elemento de ligação" entre o governo gaúcho e um suposto esquema de fraude em obras públicas no Rio Grande do Sul.
Batizada de "Operação Solidária", a investigação apura o suposto superfaturamento em obras viárias e de saneamento básico e na construção de barragens. O foco da investigação recai sobre o suposto favorecimento ilegal de duas empreiteiras gaúchas, a MAC e a Magna Engenharia, em licitações.
Com acesso direto à governadora, Walna é considerada uma das mulheres mais poderosas do círculo de Yeda. Oficialmente o cargo que ocupa é coordenadora das ações de governo, mas deputados governistas afirmam que cabe a ela exercer controle das nomeações e exonerações do governo.
As atividades de Walna chamaram a atenção da PF depois que ela se encontrou com a empresária Neide Viana Bernardes e Edgar Cândia, dono da Magna, em abril do ano passado. O encontro, segundo a PF, foi marcado no estacionamento de um shopping e depois as duas se encontraram com Cândia na sede da empreiteira.
Na ocasião, estava em curso a preparação dos editais para a licitação das obras de construção das barragens de Jaguari e Taquarembó (interior do RS), orçadas em R$ 150 milhões com recursos do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento).
Num dos telefonemas grampeados pela PF no dia 16 de maio, Neide e Cândia conversam sobre o lançamento das obras das barragens quatro dias antes. Na conversa, segundo transcrição no inquérito, Neide diz que recebeu a informação de que "tá tudo combinado" e que a "progenitora maior do Estado sabe".
O edital da licitação foi lançado em 30 de maio e a Magna Engenharia foi anunciada como uma das empresas vencedoras para prestar serviços na elaboração do projeto de Taquarembó em novembro.
Neide e Cândia já foram indiciados por crimes de corrupção, fraude em licitação e formação de quadrilha.
O inquérito conduzido pela Delefaz (Delegacia de Combate a Crimes Fazendários) descreve a assessora de Yeda como "elemento de ligação". "Conclui-se que todo o engendramento político parte através de Neide e aí é partilhado com Walna, de onde é repassado a seu escalão superior, com ênfase neste momento em relação a Chico Fraga", diz trecho do inquérito a que a Folha teve acesso.
Fraga (PSDB) é o ex-secretário de Governo da Prefeitura de Canoas (RS), réu na ação penal sobre a fraude do Detran e investigado pela PF na operação.
No final de semana, o jornal "Zero Hora" publicou trechos de transcrições de telefonemas trocados entre Walna e Neide em julho do ano passado.
Em 21 de julho de 2008, Walna diz a Neide que precisa de "flores". Quando a empresária pergunta quantas flores, afirma que pode ser "de cinco ou meia dúzia assim num arranjo só, assim num o quanto der". Segundo o jornal, a PF afirma que "arranjos" e "flores" seriam um código para dinheiro. A investigação corre em segredo de Justiça.
Outro lado
A assessoria do governo do Rio Grande do Sul disse que não comentaria telefonemas interceptados pela Polícia Federal entre a assessora Walna Vilarins Menezes e investigados na Operação Solidária.
O advogado de Walna, Norberto Flach, disse ontem que ela não tratou de licitações nas conversas que manteve com a empresária Neide Bernardes -as duas eram amigas, de acordo com o advogado.
Segundo ele, a assessora da governadora não é investigada pela PF e só teve telefonemas gravados porque conversou com pessoas que eram alvos da Operação Solidária.
"Procurei a Polícia Federal para pôr a minha cliente à disposição para dar esclarecimentos e eles nem quiseram ouvi-la. A Walna e a Neide sempre conversavam sobre assuntos pessoais, jamais trataram de contratos", disse Flach.
Ele disse que as interpretações dadas pela PF a telefonemas da assessora são "altamente especulativas".
O advogado também negou as supostas referências cifradas a dinheiro mencionadas pelo jornal "Zero Hora" e reclamou que dados da investigação estão sendo vazados "a conta-gotas" por pessoas que pretendem tirar proveito político.
"Não acredito que a PF esteja vazando estes dados, mas se criou uma espécie de folhetim político", disse.
O advogado de Neide Bernardes, Felipe de Oliveira, não quis comentar o teor dos telefonemas em razão do segredo de Justiça, mas também criticou o vazamento de informações.
O empresário Edgar Cândia, dono da Magna Engenharia, não foi encontrado. Recados deixados na empresa não foram respondidos.
O advogado da MAC Engenharia, Felipe Pozzebon, disse que a empreiteira tem "contratos lícitos" e que a investigação "vai constatar que a empresa atua legalmente".
A PF informou que não emitiria informações sobre a investigação em razão do segredo de Justiça. A Folha também não localizou Francisco Fraga ontem à tarde.
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