RIO - A crise internacional não foi considerada pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) como a vilã do leilão de linhas de transmissão realizado nesta manhã no Rio de Janeiro. Foram licitadas seis lotes de linhas e subestações, dos quais cinco ficaram nas mãos da subsidiárias da Eletrobrás e uma ficou com a brasileira Neoenergia, que tem em seu capital a participação da espanhola Iberdrola. O que seria sétimo lote não foi licitado por falta de ofertas.
Na visão do diretor da Aneel, Edvaldo Santana, o deságio médio, que atingiu 37,62%, poderia até ser maior caso não houvesse o momento de turbulência financeira, mas ele considerou que, mesmo assim, a licitação foi um sucesso. "Um leilão que tem um lote com um deságio de 60% e uma média de 37,62% não pode ter sido afetado pela crise", frisou.
Segundo Santana, a pouca disputa pelas concessões - nenhum dos lotes chegou a ir para o viva-voz - aconteceu muito mais em função do tamanho das linhas e subestações ofertadas do que propriamente por uma questão influenciada pela crise financeira. "Talvez, se não houvesse a crise, o deságio médio fosse maior, mas este foi um leilão pequeno com receita-teto permitida inferior a R$ 70 milhões (ao todo). No leilão do Madeira no fim do mês, eu acho que vocês verão uma presença maior de estrangeiros", sustentou.
A mesma percepção tiveram representantes das empresas vitoriosas. Para Dilton Oliveira, presidente da Chesf, as parcerias firmadas para concessão dos recursos necessários para as obras garantiram a vitória para a operação de duas subestações em Pernambuco. "Sempre colocamos um deságio que podemos absorver", destacou o executivo, cuja empresa bancou um deságio de 43% ao arrematar o lote G.
O diretor de Engenharia da Eletrosul, Ronaldo Custódio, se limitou a comentar que terá de avaliar os efeitos da crise, mas garantiu que a subestação arrematada no Rio Grande do Sul está dentro do orçamento planejado. Ele notou que o objetivo é antecipar a entrada em operação da subestação de Missões para o fim de 2009 de forma a evitar que a hidrelétrica Passo São João, que está em construção na região e ficará pronta em janeiro de 2010, entre operações sem condição de comercializar sua energia.
Sobre o lote que não recebeu ofertas e incluía quatro linhas de transmissão na Grande Porto Alegre, Custódio afirmou que o orçamento projetado pela Aneel era muito baixo e que apenas o cabo subterrâneo que deverá ser utilizado atingiria este valor de orçamento.
"É uma obra urgente e Porto Alegre está em situação crítica, mas infelizmente não foi viável porque ninguém está aqui para perder dinheiro", observou. Santana, da Aneel, lembrou que o lote ofertado tinha características inéditas por se tratar de uma linha de transmissão totalmente urbana e com parte do projeto previsto dependente de cabos subterrâneos. "A Aneel vai examinar por que não houve oferta e é possível que o lote volte em outros leilões", disse.
03/10/2008
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