Ouro e Prata vai avaliar edital para travessia em hidrovias


O primeiro interessado em disputar a concessão da travessia hidroviária de passageiros entre Porto Alegre e Guaíba, desativada há mais de 50 anos, é um grupo empresarial com tradição em transporte rodoviário. A Ouro e Prata, que opera linhas intermunicipais de ônibus no Estado, mas tem empresa no ramo fluvial no Norte do País, começa a avaliar as exigências do edital lançado ontem pelo governo estadual para o trecho de 30 quilômetros. A concorrência abre oficialmente hoje e prevê 30 dias para entrega de propostas. Se houve vencedor, espera-se que a travessia com catamarãs, modelo de embarcação previsto no edital, possa estrear na metade de 2011.
Em paralelo, a travessia entre Rio Grande e São José do Norte, com sete quilômetros, também terá concorrência para definir exploradores, pois os atuais têm apenas autorização de órgãos públicos, situação considerada precária. Hoje quatro empresas fazem o serviço, com demanda de 4 mil usuários por dia. O diretor-presidente da Ouro e Prata, Hugo Fleck, foi ao evento no Armazém A3 do cais do porto, onde foram montados palcos para autoridades e plateia, com integrantes do governo e setor privado. Fleck disse que conhece alguns detalhes da concorrência, que exigirá, citou ele, criação de uma empresa exclusiva
para a operação.
A estimativa é que cada embarcação, com capacidade de 120 assentos e até bicicletário, deve envolver R$ 2 milhões em investimentos. Nos primeiros seis meses de operação, o concessionário terá de garantir um catamarã e, seis meses depois, mais um. Como os equipamentos necessitam de manutenção ou podem estragar, é preciso ter um de reserva.
"Temos de avaliar a demanda, mas se trata de investimentos de longo prazo", projetou. A construção de barcos, que já ocorre para a atuação no Norte, é feita com uma empresa gaúcha e com projetos da companhia. O diretor-presidente do grupo solicitou a assessores que apurem linhas de financiamento disponíveis no Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (Bndes) para as embarcações. "Temos condições de fazer. Temos know-how", antecipou o empresário, admitindo que a hidrovia estava na mira da empresa há mais tempo. No setor, a Ouro e Prata avalia ainda possibilidades em Santa Catarina, na Bahia e no Rio de Janeiro.
Fleck também ressaltou que o negócio tem viabilidade quando vira alternativa ante maior congestionamento de vias terrestres. O temor de que a construção de uma segunda ponte do Guaíba e mesmo a Rodovia do Parque (BR-448), em execução, possam esvaziar o trecho pela água, é afastado. "São obras para longo prazo e a travessia é um
outro modal".


30/09/2010

Fonte: Jornal do Comércio

 

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