O centro de São Paulo voltou a ficar sujo ontem, uma semana depois da realização da Virada Cultural onde a limpeza foi um dos pontos altos para a prefeitura.
Durante o evento, 3.300 pessoas trabalharam na limpeza do centro, que contou com 4.900 lixeiras espalhadas pelas ruas -normalmente são 1.500.
Os atuais contratos com as empresas de varrição e de coleta não obrigam o trabalho aos domingos, segundo a Secretaria de Serviços, que administra os contratos.
A Folha flagrou ontem à tarde dezenas de sacos amarelos, usados pelas empresas de varrição, amontoados em ruas da região central, em muitos casos misturados ao lixo comum.
A Secretaria das Subprefeituras, que fiscaliza o serviço, informou que, apesar de o contrato não prever a varrição aos domingos, 30% do serviço foi realizado ontem.
Essa situação deve mudar. Na licitação que a prefeitura prepara para trocar as empresas de varrição, uma das exigências será o trabalho sete dias por semana.
A mudança é, de certa maneira, uma admissão de culpa. Os contratos com as empresas de varrição foram assinados em novembro de 2006, já durante a gestão do prefeito Gilberto Kassab (que vai trocar o DEM pelo PSD).
Os contratos vencem no dia 3 de novembro e só podem ser renovados em caráter emergencial. A prefeitura anunciou a realização desta nova licitação em 2009, mas nada foi feito até agora.
Em outubro do ano passado, a prefeitura testou a limpeza aos domingos na área da Subprefeitura da Sé, mas não deu continuidade.
"Aos domingos foi só durante um mês para nós nos convencermos que não pode ser feita a limpeza só seis dias por semana", disse Dráusio Barreto, secretário de Serviços da gestão Kassab. A pasta é a responsável pelos contratos de limpeza pública.
Hoje, cinco empresas cuidam da varrição das ruas, serviço que custou R$ 317 milhões no ano passado. Na nova licitação serão apenas duas empresas. Elas também vão cuidar de outros serviços, como a operação dos ecopontos (locais próprios para o despejo de entulho).
Elas também podem ficar responsáveis pela limpeza de galerias de águas pluviais, bueiros e bocas de lobo -esse ponto ainda está em discussão no governo.
São Paulo tem 3.500 garis que varrem o equivalente a 6.900 km de ruas por dia.
COLETA
Outra medida pretendida pela prefeitura será a determinação para que as duas empresas que fazem a coleta de lixo domiciliar também passem a fazer o serviço aos domingos nos corredores comerciais e na região central.
A prefeitura está finalizando os cálculos para saber quanto vai ter de desembolsar a mais pelo trabalho. No caso da coleta não é necessária a realização de nova licitação, pois os contratos já permitem essa operação.
25/04/2011
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