Comida e medicamentos estão entre os produtos mais consumidos pelas agências da Organização das Nações Unidas. Responsável pela maior fatia das licitações para aquisição de alimentos, destinada a atender emergências em países como Afeganistão, Sudão e Haiti, só o Programa Mundial de Alimentos (WFP) comprou, em 2004, US$ 1,1 bilhão em produtos alimentícios. No ano passado, o valor foi um pouco menor, US$ 712 milhões, equivalentes a 2,5 milhões de toneladas métricas de comida.
Os US$ 8 bilhões previstos em compras pelas agências da ONU equivalem a quase três vezes as importações de países como Paraguai ou Bolívia e são equivalentes a quase um terço de tudo que parceiros do Brasil como Argentina, Colômbia e Venezuela compram do exterior. Às voltas com uma reforma para reduzir os desperdícios e a ineficiência, a ONU vem reformulando também seus sistemas de compra e licitações, para dar maior agilidade e transparência a essas operações.
Uma das primeiras medidas foi divulgar o maior número de informações possível pela internet e reunir as páginas das diversas agências dedicadas a esse tema em um único portal, o http://unbiz.un.int/ . O esforço de divulgação, que é discutido em encontros dos responsáveis pelas licitações como o que começa hoje, em Belo Horizonte, tende a aumentar a concorrência em nichos até hoje explorados com pouca competição por poucas firmas brasileiras.
É pequeno o risco de perder esse cliente no caso de produtores que encontram um bom nicho, como um os grandes fornecedores de vacinas à ONU, a Biomanguinhos, laboratório brasileiro que tem as Nações Unidas como comprador regular, e, no ano passado, vendeu à organização cerca de US$ 40 milhões em vacinas contra a febre amarela. "Nosso interesse é contribuir para a saúde pública, no plano mundial, mas esses recursos são um reforço ao financiamento das pesquisas", comenta a gerente de Relações com o Mercado da Biomanguinhos, Cristiane Frensch.
"O mercado da ONU é fantástico porque compra anualmente mais de 19 mil itens", afirma a chefe da divisão de Informação Comercial do Ministério das Relações Exteriores, Wanja Campos da Nóbrega. "Produtos sem procura agora podem tornar-se de grande demanda no próximo ano", diz.
05/06/2006
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