MP gasta mais de R$ 1 milhão com notebooks


Seguindo o exemplo do Judiciário e da Assembléia Legislativa, o Ministério Público Estadual (MPES) comprou 305 notebooks para os promotores que atuam nas comarcas do Espírito Santo. Com a aquisição, o órgão desembolsou cerca de R$ 1.281.000, já que cada máquina saiu por cerca de R$ 4.200.
Segundo o funcionário responsável pelo setor de informática do MPES, a compra foi feita por meio de processo licitatório e as máquinas saíram por um preço "muito bom, diante da qualidade dos computadores".
De acordo com o funcionário, os notebooks são modelo T61, da marca Lenovo, com processador Intel Core 2 Duo, dois gigahertz (GHg), disco rígido de 120 (Gb) gigabytes, identificação biométrica, e quatro anos de garantia. "É um computador top de linha. Conseguimos um bom preço, já que tudo foi feito por meio de processo licitatório", destacou o servidor.
A assessoria de imprensa do MPES informou que as máquinas visam "acompanhar o Judiciário no projeto ‘Justiça Sem Papel’". "Alguns promotores respondem por duas comarcas, como por exemplo Linhares e Rio Bananal. Com o notebook, ele pode acompanhar os processos de uma cidade estando em outra", explicou a assessoria.
Substituição
Além disso, o órgão alegou que nesses casos, um computador portátil substitui dois computadores de mesa. "Vai agilizar o trabalho dos promotores", garantiu a assessoria do MPES.
O primeiro órgão a comprar computadores portáteis foi o Tribunal de Justiça. Em maio de 2005, o então presidente Adalto Dias Tristão entregou notebooks para os 330 juízes e desembargadores – na época, ainda eram 21 magistrados; hoje são 24.
No mês passado, a Assembléia Legislativa comprou 35 notebooks – 30 para os deputados e cinco para os diretores, ao custo de R$ 108 mil. A Casa ainda comprou 100 microcomputadores para os gabinetes e para a área administrativa. As máquinas custaram R$ 219.600, e foram fornecidas pela mesma empresa contratada pelo MPES: a Lenovo Tecnologia Brasil.
Modernização e transparência
Rafael Cláudio Simões é professor da UVV, membro da Transparência Capixaba, do Conselho Deliberativo da Transparência Brasil, historiador e comentarista da CBN Vitória.
Passam os poderes legislativo e judiciário do Espírito Santo, bem como o Ministério Público estadual, por um processo de ampliação do seu parque de tecnologia da informação e comunicação. Isso é importante, pois na sociedade atual é fundamental que as instituições públicas andem em dia com o desenvolvimento tecnológico.
Tal situação, no entanto, deve servir para refletirmos sobre os ganhos que tais gastos proporcionarão. Deve-se, com todo o direito, esperar uma maior agilidade dos trabalhos dessas instituições. Claro está, que não serão somente computadores que irão resolver os problemas presentes, mas a atualização e ampliação realizada, permite-nos esperar e cobrar por mais agilidade e eficiência.
Outra questão que se coloca é a disparidade de preços muitas vezes encontradas nessas aquisições. É de fundamental importância que possamos entender o por que de alguns desses lap tops custarem cerca de R$ 3.000,00 enquanto outros ultrapassam a casa dos R$ 4.000,00. As instituições precisam explicar a diferença de preços e as opções de softwares que ocasionaram tais custos.
Modernização é fundamental para a qualificação do serviço público, mas a transparência é um requisito tão importante quanto. Que venham as informações.

Configuração semelhante pode sair mais barata
É preciso dar uma volta nas lojas de informática da Grande Vitória para avaliar o valor pago pelo Ministério Público do Estado nos laptops. Comparado com máquinas de outras marcas - com configuração semelhante -, o notebook Lenovo adquirido pelo MPES saiu mais caro.
Por outro lado, por mais que o comprador pechinche, não vai conseguir comprar a unidade do modelo T 61 numa loja por R$ 4.200. Em Vitória, uma única máquina Lenovo desse tipo pode ser adquirida por R$ 4.980. Ou seja, por comprar 300 computadores, o MPES conseguiu um desconto de 15,66%.
Outras marcas
Porém, uma rápida busca na internet demonstra que um computador de configuração semelhante custaria menos, se fosse de outra marca. Por exemplo, no site da DELL (www.dell.com.br) é possível montar e orçar um laptop com o mesmo processador, tamanho, Disco Rígido (HD) e memória ram do adquirido pelo MPES por um preço inferior ao pago pela Instituição.
O modelo Latitude com essas características sai por 3.904,47 - incluindo aí três anos de garantia (no local). Esse valor é 9,19% menor do que o que foi pago pelo modelo Lenovo. Detalhe: vale ressaltar que esse é o preço da unidade da Dell, e é bem provável que o orçamento de 300 máquinas diminuísse o preço unitário delas.
IBM por dentro
Pode-se dizer que o laptop adquirido pelo MPES é Lenovo por fora e IBM por dentro. Isso porque a Lenovo é uma empresa japonesa que comprou a IBM, uma marca que, tradicionalmente, junto com a Sony, é uma das duas mais caras do mercado.
Apesar disso, um notebook Lenovo com configuração pouco inferior ao T 61 sai por R$ 2.900 - R$ 1.400 a menos. O Lenovo R 61 possui tela 14.1, processador Core Duo 1.8 GHz, um gigabyte de memória ram, e HD de 80 Gb.
A explicação
"É um computador top de linha. Conseguimos um bom preço, já que tudo foi feito por meio de processo licitatório” Assessoria do Ministério Público.


23/12/2007

Fonte: Gazeta OnLine

 

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