Megaleilão chega a R$ 72 bi, mas gera apreensões


São Paulo - Transações atingem o recorde de 17 mil MW médios. O megaleilão de energia elétrica realizado, ontem, em São Paulo pelo Ministério de Minas e Energia (MME) negociou o volume recorde de R$ 72 bilhões, mas bem inferior a volume inicial de R$ 130 bilhões previsto por analistas. As transações envolveram 17.080 MW médios (25.878 MW de potência) para suprimento de 34 distribuidoras entre 2005 e 2015. Os preços médios nas negocições ficaram em R$ 57,51 o MW/h para início de fornecimento em 2005, R$ 67,33 para início em 2006 e R$ 75,46 para início em 2007.
A ministra Dilma Rousseff, calcula que essas cotações deverão provocar queda nas tarifas pagas pelos consumidores finais no próximo ano. Outra sinalização apontada foi a do aumento de riscos para investimentos futuros no setor elétrico brasileiro, principalmente pelo setor privado porque os preços finais ficaram muito abaixo do valor de referência apresentado pelo Ministério de Minas Energia na abertura do pregão - R$ 80, R$ 86 e R$ 93 o MW/h para início de suprimento em 2005, 2006 e 2007, respectivamente, e também dos R$ 60, R$ 70 e R$ 80 estimados como mínimos ideais para o mercado gerador.
Foram 21 rodadas na primeira fase do leilão e mais de doze horas de transações eletrônicas coordenadas pela Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE) com a participação de 34 distribuidoras e 18 geradoras. No final, apenas 12 geradoras concluíram as negociações e deverão fechar os contratos no pool definido pelo MME para garantir o suprimento de energia por contratos de oito anos.
De acordo com a ministra, o leilão foi considerado um sucesso porque as negociações foram concretizadas, os preços atendem ao objetivo de modicidade tarifária, apontado como um dos principais do novo modelo do setor, e por ter demonstrado que as regras definidas foram seguidas à risca ontem, independente da maior ou menor satisfação das empresas que participaram do megaleilão e de suas estratégias de mercado.
Ontem, o MME também oficializou a definição das chamadas "usinas botox", que poderão participar dos leilões de energia nova, previstos para ocorrer no segundo semestre de 2005.


08/12/2004

Fonte: Gazeta Mercantil

 

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