Licitação para usina de ondas sai até fim do ano


Até o fim do ano deve sair a licitação para o projeto-piloto de uso de módulos geradores de energia a partir das ondas do mar, a serem instalados no Pecém. O investimento total no projeto é da ordem de R$ 4,5 milhões, com previsão de ser implantado em oito meses.
A licitação para investimentos em um protótipo de geração de energia a partir das ondas do mar, no Ceará, deve acontecer até o fim do ano. O secretário estadual de Infra-Estrutura, Luiz Eduardo Barbosa de Moraes, calcula que o equipamento esteja instalado e em operação dentro de oito meses, a contar do processo de licitação. O investimento total é da ordem de R$ 4,5 milhões, com os custos divididos entre a Eletrobrás, o Governo do Ceará e o Instituto de Pós-Graduação e Pesquisa de Engenharia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (Coppe/UFRJ).
"Trata-se de um projeto experimental, que não vai influir do ponto de vista da geração de energia elétrica. Serão instalados no Pecém dois módulos geradores, que irão produzir 50 kilowatts. Vamos estudar a viabilidade econômica do projeto para saber se vale a pena investir no futuro", comenta.
Segundo o professor de Estruturas Oceânicas do Coppe/UFRJ, Segen Estefen, o Ceará tem um potencial de aproximadamente cinco gigawatts de geração de energia das ondas. O especialista diz que um dos diferenciais do Estado, em relação a outros, está na freqüência das ondas durante o ano todo, mesmo sendo mais baixas que as do Sul do País. Segen participou do painel sobre geração elétrica a partir das ondas no último dia do Fórum e Exposição das Energias Alternativas do Brasil (Power Future 2006), encerrado ontem.
Um dos aspectos que se busca com o projeto é a redução dos custos de geração de energia das ondas, semelhante ao que aconteceu com a eólica. Segen conta que para se produzir um megawatt de eólica hoje é preciso investir de US$ 1,5 milhão a US$ 2 milhões, quando há 10 anos o custo era até quatro vezes maior que os atuais.
O professor explica que do investimento no projeto, R$ 3,6 milhões serão destinados para a implantação dos dois módulos geradores (50% do valor) e para monitoramento do desempenho dos protótipos nos 24 meses seguintes. Somente ao final do processo será possível chegar a uma versão comercial dos equipamentos. "Estamos em fase de pesquisa. O processo de implantação demora e os custos são altos no início, mas depois baixam", completa.
Segen explica que a geração de energia através das ondas ainda está iniciando, embora já existam projetos mais avançados pelo mundo. Diferente da energia eólica, que hoje está chegando em um grau de maturidade. A vantagem desse tipo de energia, afirma o professor, é que os recursos continuarão existindo enquanto houver planeta. A única exigência, observa, é a necessidade de investimentos para ter retorno. "É bom que se tenha em mente que estas são energias complementares, não hegemônicas. O Brasil vai estar bem daqui a uns anos se souber lidar com todas elas", avalia.
Os protótipos de geração de energia a partir das ondas do mar são o pontapé inicial de um projeto maior, conforme Segen. O professor conta que atualmente a Eletrobrás está analisando uma proposta da Coppe/UFRJ para criação de um Plano Nacional de Energias Renováveis do Mar, com projetos de pesquisa e inovação de duração de cinco anos e custos estimados em R$ 16 milhões. A expectativa é que uma resposta saia ainda este ano.
"Na semana passada o presidente da Eletrobrás, Aloísio Vasconcelos Novais, fez sinalizações positivas para com a criação de uma usina de ondas em Búzios, no Rio de Janeiro, o que já é um bom indicador", comenta.
O professor deixa claro que é difícil saber que o espaço a energia das ondas poderia ter dentro da matriz energética do Brasil. Ele estima que se hoje a matriz é da ordem de 100 gigawatts, o segmento de ondas do mar pode representar entre 10% e 15% em um período de cinco a 10 anos. "Mas isso desde que haja um programa forte por trás, como um Programa de Incentivo às Fontes Alternativas de Energia Elétrica (Proinfa) que inclua as ondas do mar", conclui.


21/09/2006

Fonte: O Povo (CE)

 

Curso Licitações
Notícias Informativo de Licitações
Solicite Demonstração Gratuita