Uma das experiências mais procuradas por visitantes das Cataratas do Iguaçu entra em uma nova etapa administrativa. O governo federal avançou no processo de licitação que definirá a empresa responsável pela operação do passeio de barco conhecido como Macuco Safari dentro do Parque Nacional do Iguaçu.
A concessão está sendo conduzida pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) e prevê a exploração da atividade por um período de 15 anos. O edital estabelece que vencerá a disputa a empresa ou consórcio que apresentar a maior proposta de outorga fixa, valor pago ao poder público pelo direito de operar o serviço.
O passeio atualmente é administrado pela empresa Macuco Safari, que atua no parque há cerca de quatro décadas. A atração combina um percurso terrestre pela Mata Atlântica com a navegação pelo Rio Iguaçu até próximo às quedas d’água, permitindo que visitantes se aproximem do conjunto de cascatas.
De acordo com dados do setor turístico, mais de 390 mil pessoas participaram da atividade em 2025, consolidando o passeio como um dos principais produtos turísticos de Foz do Iguaçu.
Pelo modelo definido no edital, a empresa vencedora deverá realizar investimentos na infraestrutura do atrativo e ampliar os serviços destinados aos visitantes. O contrato também prevê o ressarcimento dos estudos técnicos elaborados pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), responsável pela modelagem da concessão.
Entre as exigências estabelecidas está a comprovação de experiência na operação de transporte anual mínimo de 21.262 passageiros em embarcações motorizadas. O critério busca assegurar que os concorrentes tenham histórico na condução de atividades náuticas.
Especialistas ligados ao setor turístico observam, no entanto, que o peso financeiro pode ser determinante na escolha da vencedora. Avaliações técnicas que circulam entre profissionais da área indicam que o modelo de julgamento atribui maior importância à proposta econômica do que a critérios operacionais.
O debate envolve principalmente as características da navegação no trecho percorrido pelas embarcações. O trajeto pelo cânion do rio apresenta corredeiras intensas, ondas estacionárias e redemoinhos formados pela geografia do local.
Profissionais que atuam na atividade afirmam que a condução segura nesse ambiente exige treinamento prolongado. Pilotos que operam no passeio podem levar até três anos de capacitação contínua para dominar completamente o percurso.
Outro ponto levantado por especialistas diz respeito à diferença entre a exigência mínima prevista no edital e o volume real de passageiros transportados atualmente. Enquanto o documento solicita experiência com cerca de 21 mil passageiros por ano, a operação nas Cataratas movimenta aproximadamente vinte vezes esse número.
Além do impacto turístico, a atividade também possui relevância econômica para a região. A operação mantém cerca de 350 empregos diretos e integra uma cadeia de serviços que envolve transporte turístico, agências de viagem e prestadores de serviços da região trinacional.
O edital da concessão encontra-se atualmente em análise no Tribunal de Contas da União (TCU). Após a validação do órgão de controle, o processo poderá avançar para a fase de apresentação das propostas pelas empresas interessadas.
O resultado da licitação definirá quem administrará, pelos próximos 15 anos, um dos passeios mais conhecidos do turismo brasileiro e uma das experiências mais buscadas por visitantes das Cataratas.
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