Rio - O samba para o Carnaval de 2010, é, em princípio, de uma nota só, ou melhor, de uma palavra só: licitação. Essa é a intenção, já anunciada, do prefeito eleito do Rio, o peemedebista Eduardo Paes, em relação à organização dos desfiles no Sambódromo, hoje entregue pela prefeitura, através de convênio, à Liga Independente das Escolas de Samba (Liesa). O futuro governante vem declarando que pretende manter o Carnaval terceirizado, mas, se o comando permanecerá com a Liesa, só um processo licitatório confirmará.
A receita bruta do Carnaval de 2009 deve chegar à casa dos R$ 65 milhões, mas as despesas com a festa e o repasse para as agremiações do Grupo Especial não ficam longe disso. Até porque, lembra o presidente da Liesa, Jorge Castanheira, cabe à Liga ainda organizar os 25 ensaios técnicos previstos, manter a Cidade do Samba — equipamento cedido pela prefeitura por contrato — e ainda realizar eventos como o sorteio da ordem dos desfiles.
Jorge Castanheira evita quebrar a harmonia com a prefeitura. “Acho que o prefeito eleito certamente vai conhecer todos os números, toda essa dinâmica de parceria que existe entre a Prefeitura do Rio e a Liesa, porque a Liga, através desse modelo de gestão, ajuda a fomentar e a melhorar os desfiles de todos os grupos que se apresentam na Sapucaí”, diz.
CRÍTICAS
O dirigente acredita que, após conhecer os números e a organização da festa, Eduardo Paes vai entender “o quanto o Carnaval atual desonerou a prefeitura e permitiu o crescimento do Carnaval”. “O risco de vender os ingressos e obter patrocinadores é da Liga”, observa.
Mas a idéia de Eduardo Paes não recebe confetes dos dirigentes das escolas. O presidente da Portela, Nilo Figueiredo, acha que outra empresa que venha a ser contratada para organizar o Carnaval não contará com o mesmo apoio dado pelas escolas à Liga.
“Na Liesa, o desfile tem um valor. Se for uma outra empresa, eu vou pedir outro valor para desfilar. As escolas dão à Liesa procuração para assinar contrato com a prefeitura. Agora, essa empresa que não conheço, se quiser que eu desfile, vai ter que me pagar”, avisa Nilo, que diz não ter ouvido Paes falar em licitação. “Estive com ele, e ele me disse outra coisa”.
O presidente da Vila Isabel, Wilson Vieira Alves, o Moisés, destaca que, se houver licitação e ele não concordar com os termos, pode desfilar em outro lugar: “Antes da Liga, o desfile atrasava, o público era desrespeitado. Hoje se sabe até a hora do intervalo. A Liesa conseguiu elevar o Carnaval do Rio”.
SHOW TRANSFORMADO EM SUPERESPETÁCULO
Desde que passou a ser visto de cima para baixo, o Carnaval nunca mais foi o mesmo: virou espetáculo. Fruto de uma longa história de marchinhas e sambas imortais, a folia carioca assumiu a Avenida Presidente Vargas, em 1963, e entrou por um caminho sem volta. “Naquele ano, foram construídas as passarelas desmontáveis e começaram a ser cobrados os ingressos. Nesse momento, com o olhar do público de cima, as escolas começaram a crescer em luxo e, então, surgiu o superespetáculo”, conta o diretor cultural da Liesa, Hiram Araújo.
Naquela época, no entanto, a verba arrecadada alimentava as empreiteiras, conta Hiram: “Era uma sangria. Os produtores não ficavam com nada. E isso só terminou em 1984, com a construção da Passarela do Samba”. Foi naquele ano que o dinheiro do desfile passou a ser dividido entre a Riotur e a recém-criada Liga. A Riotur era a responsável pelo show e ficava com os recursos. Naquela ocasião, as 10 maiores agremiações desligaram-se da Associação das Escolas de Samba e passaram a fazer parte da Liesa com a nomenclatura de Grupo Especial. Mas só em 1995 a Lei Municipal 8.666, que legaliza a terceirização no Rio, em seu artigo 25, entregou toda a responsabilidade pela organização do Carnaval à Liga. A chamada privatização do Carnaval foi promessa de campanha do prefeito Cesar Maia. “Qualquer coisa que se faça no futuro será um retrocesso. Está tudo legalizado. A empresa que tem a especialização notória é a Liesa”, opina Hiram.
FRAUDE SEM COMPROVAÇÃO
Depois do Carnaval 2007, suspeitas de fraude no desfile foram apontadas por um delegado da Polícia Federal e deram origem a uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) na Câmara Municipal. Após quase um ano investigando suposto favorecimento à escola campeã, Beija-Flor, não foi comprovada fraude.
A comissão, no entanto, faz uma série de recomendações para dar transparência à organização da festa. No texto, de autoria da presidente da comissão, vereadora Teresa Bergher, a CPI considera erro primário de gestão o contrato firmado entre a prefeitura e a Liesa, que transfere para a entidade poderes absolutos.
Cabe à entidade escolher jurados, comercializar direitos de imagem, promover merchandising e contratar serviços como sonorização e comercialização de alimentação. O relatório propõe que o Tribunal de Contas do Município realize auditoria nas contabilidade da Liesa. Cópia do relatório será enviada ao Ministério Público Estadual.
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