Licitação indica volta de investimento à Bolívia


A licitação da Yacimientos Petrolíferos Fiscales Bolivianos (YPFB) para elevar a produção de gás na Bolívia com destino à Argentina pode representar a volta dos investimentos da indústria petrolífera no país governado por Evo Morales. Oito empresas apresentaram ontem suas propostas de aumento da produção de gás.
Como esperado, as ofertas foram feitas pela Petrobras Bolívia, Repsol, BG Bolívia, Chaco (que tem a BP como sócia), a Vintage (subsidiária da Occidental Petroleum), a coreana Dong Won, a Canadian Energy e a argentina Pluspetrol.
"Este é um dos primeiros resultados concretos dos novos contratos de operação que foram negociados e firmados em outubro passado", disse o presidente da YPFB, Juan Carlos Ortiz em nota da Agência Boliviana de Informação.
Apesar da participação maciça das petroleiras, a oferta total foi insuficiente para atender o volume previsto no contrato assinado pela YPFB e a Argentina em outubro do passado, que prevê a exportação de 27,7 milhões de metros cúbicos por dia entre 2010 e 2026.
O volume máximo de gás oferecido pelas oito empresas foi de 25,82 milhões de metros cúbicos/dia (produzidos em 2011), com a produção caindo gradualmente a partir daí. Nos anos seguintes, a oferta de gás cai para 19,15 milhões em 2015 e 10 milhões em 2021, sendo que em 2026 foram oferecidos menos de 2 milhões de metros cúbicos/dia.
A Petrobras e seus sócios no campo de San Antonio (Repsol e Total) ofereceram 2,5 milhões de metros cúbicos de gás/dia produzidos entre 2010 e 2016. Segundo a YPFB, nova licitação será feita para complementar os volumes.
Um executivo do setor diz que as propostas estão condicionadas a alguns eventos, como disponibilidade de transporte do gás até a Argentina, a ser feita pela YPFB, e aprovação dos planos exploratórios de campos que precisam ser desenvolvidas, o que exige investimentos. "Mas, sem dúvida, é uma boa indicação [de disposição], apesar de ainda existirem riscos envolvidos na produção, como a mudança de regras e o estabelecimento de um preço razoável."
O gás será vendido por US$ 5. A esse valor terá que ser acrescida a tarifa de transporte. Será necessário construir um gasoduto até a Argentina, orçado em US$ 2 bilhões.


17/01/2007

Fonte: Valor OnLine

 

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