O governo admitiu ontem que o leilão do trem-bala só deve ser realizado no segundo semestre de 2013. O diretor da Empresa de Planejamento e Logística (EPL), Hélio Mauro França, afirmou ontem que a primeira etapa da licitação do trem que ligará Campinas, São Paulo e Rio de Janeiro, deverá ocorrer somente "em julho ou agosto". A última previsão era fazer o leilão em abril. A estimativa de custo do projeto também foi elevada.
"O prazo entre a publicação do edital e o leilão propriamente dito passou a ser de oito meses. Essa mudança veio por sugestões na fase de consulta pública da minuta do edital, para dar mais tempo à preparação das propostas técnicas, à formação dos consórcios e ao levantamento do capital", afirmou França.
O edital para a primeira fase de licitação - que escolherá o operador do trem-bala - deve ser publicado na segunda-feira. O documento trará ainda nova estimativa para o custo total do projeto, incluindo as obras de infraestrutura que serão licitadas posteriormente. No balanço do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC2) divulgado esta semana, a previsão estava mantida em R$ 33,2 bilhões, mas a EPL já trabalha com um custo global de R$ 35 bilhões.
Segundo França, isso ocorre porque o meio de transporte, que deveria ter entrado em operação em 2014, só começará a funcionar no fim desta década. "O preço inicial considerava uma demanda para 42 trens, mas o sistema já começará a operar comercialmente com uma demanda próxima dos 84 trens de capacidade máxima. Por isso essa diferença no custo total."
Trens regionais. Dez anos após a elaboração de um extenso estudo sobre a demanda por trens de passageiros no País, o governo vai refazer toda essa análise a partir do próximo ano, sem que pelo menos um dos 64 trechos avaliados inicialmente tenha saído do papel. O Ministério dos Transportes pretende licitar nos próximos meses um novo estudo abrangente sobre a viabilidade de se utilizar a malha ferroviária já existente para transportar pessoas.
O diretor de Planejamento do ministério, Francisco Luiz Baptista da Costa, disse ontem que o uso de trens regionais de passageiros é uma alternativa viável, mas exige estudos detalhados e a atualização da pesquisa realizada em 2002. "O transporte ferroviário é diferente do rodoviário, onde basta o empresário colocar um ônibus para rodar. No caso dos trens, existem diversas particularidades técnicas que precisam ser equacionadas."
Segundo o diretor, dos 64 trechos avaliados dez anos atrás, cerca de uma dúzia foram considerados prioritários pelo governo, mas apenas seis deles chegaram na fase final de estudo de viabilidade. Dois ficam no Rio Grande do Sul, um no Paraná, um na Bahia, e outros dois no Maranhão, incluindo uma ligação com o Piauí.
Mas para que os trens de passageiros finalmente saiam do papel, a ANTT ainda precisa regulamentar o meio de transporte. "Não existe ainda um marco regulatório específico para esse tipo de operação", disse Costa.
23/11/2012
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