Empresas de concursos públicos sediadas em Minas Gerais, uma delas existente apenas no papel, são suspeitas de liderar um esquema de fraude em licitações via carta convite para a realização de processos de seleção de pessoal para diversas prefeituras, inclusive em Goiás e Espírito Santo, com prejuízos que superam R$ 1 milhão aos cofres públicos. As irregularidades já são alvo de inquéritos e ações civis públicas propostas pelo Ministério Público dos três estados. As investigações começaram em Bom Despacho, na Região Centro-Oeste, e foram expandidas para os estados vizinhos. Escutas telefônicas e uma busca e apreensão, feitas com autorização da Justiça, levantaram suspeitas do promotor de Bom Despacho, Luciano Moreira Oliveira, a respeito da atuação do esquema além dos limites de Minas Gerais.
A empresa Contabilidade Municipal Administrativo e Assessoria Jurídica/Comaj, registrada em nome de Maria Helena Mesquita Londe, é investigada como a principal operadora do esquema de fraudes. Maria Helena é advogada e há cerca de 20 anos presta assessoria jurídica, contábil e na área de concursos para as prefeituras. A empresa tem sede hoje em Bom Despacho, mas foi criada em Araxá, Região do Alto Paraopeba, e já teve sede também em Pompéu, no Centro-Oeste. Maria Helena, que exerce o cargo de controladora interna da Prefeitura de Bom Despacho, é apontada pelo Ministério Público como proprietária também da AMN Consultores Associados Ltda, outra empresa que integraria o esquema fraudulento de licitação dos concursos públicos.
De acordo com as investigações, a Comaj e a AMN Consultores são a mesma empresa, apesar dos quadros societários distintos. A AMN Consultores foi registrada em nome de André Alves da Silva, Graziella Milena Ribeiro Inácio, Marlúcio Cristiano Silva de Oliveira e atualmente tem como sócios Júnior Balduíno Gonçalves e Rodrigo Cruvinel Leite.
Grampo Nas ações, uma das principais provas da relação entre a Comaj e a AMN Consultores, de acordo com o MP, são escutas feitas nos telefones das empresas e documentos apreendidos durante busca na sede de uma delas, em Bom Despacho. As gravações feitas pela Polícia Militar revelaram que as pessoas que trabalham e atuam nas duas empresas são as mesmas e que pelo menos mais duas outras firmas podem estar envolvidas nas fraudes. O grampo também flagrou citações sobre concursos feitos em diversos outros municípios do Centro-Oeste mineiro. A Comaj já está denunciada na área criminal e cível em Moema e Bom Despacho e é investigada pela atuação em Leandro Ferreira. Já em Araxá, a denúncia envolve a AMN Consultores.
Além das interceptações telefônicas, outra prova bem apontada pelo Ministério Público é o fato de as duas empresas terem os mesmos telefones, embora a AMN tenha oficialmente sede em Belo Horizonte. As páginas na web da Comaj e da AMN Consultores foram criadas no mesmo dia e pelo mesmo técnico, Rafael Pires, além de ter também o mesmo número para contato. Essas informações constam do site que gerencia todos os domínios brasileiros e são públicas.
O advogado de Maria Helena Mesquita Londe, Estevão Ferreira de Melo, disse que não poderia adiantar a defesa que prepara em nome da Comaj, pois ainda não teve acesso aos autos do processo nem à íntegra das escutas telefônicas, apontadas pelo MP como uma das principais provas da atuação conjunta das duas empresas. “Posso apenas garantir que a Comaj e a AMN não são a mesma empresa”, comentou. Segundo ele, nas denúncias criminais o MP menciona existência de escutas, mas não transcreve as gravações feitas na íntegra. “O Ministério Público faz apenas citações unilaterais das conversas”, afirma.
05/06/2010
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