O governo federal lançou ontem outro pacote de estímulo à economia com objetivo de reduzir os impactos da crise internacional no País. Como parte do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento), o ministro da Fazenda, Guido Mantega, anunciou que a União realizará aporte de R$ 8,43 bilhões em compras governamentais a partir do segundo semestre. Agora, o governo mira os investimentos das empresas com o pacote denominado PAC Equipamentos.
A escolha para as aquisições foi, na maioria, para bens de capital relacionados ao setor de transportes. Veículos pesados e máquinas agrícolas estão no pacote. E a indústria do Grande ABC pode sair ganhando com isso, tendo em vista o grande parque de autopeças, metalurgia e veículos que tem por aqui, e duas das maiores montadoras que atendem à demanda de veículos pesados estão localizadas na região. São elas a Mercedes-Benz e Scania.
"A compra de equipamentos é importante para enfrentar problemas ambientais, como a seca, ampliar a capacidade produtiva da economia e aumentar os investimentos. Além disso, fortalece a parceria com os Estados e municípios na implementação de políticas públicas", disse Mantega, durante a apresentação do pacote.
Segundo a Fazenda, do valor total do PAC Equipamentos, R$ 6,6 bilhões serão alocados por meio de medida provisória assinada pela presidente Dilma Rousseff autorizando crédito extraordinário para os ministérios. O restante já está computado no Orçamento de 2012. O PAC 2012, que era previsto para atingir R$ 42,6 bilhões, saltará para R$ 51 bilhões.
COMPRAS
Os investimentos do governo serão destinados a vários tipos de veículos. Para os Estados e municípios combaterem os problemas climáticos, a administração vai adquirir 8.000 caminhões no valor de R$ 2,28 bilhões. Para o Programa Federal Caminho da Escola, serão adquiridos 8.570 ônibus no valor de R$ 1,714 bilhão.
Com objetivo de aumentar a produtividade da agricultura dos municípios, serão destinados R$ 870 milhões para a compra de 3.000 conjuntos de tratores e implementos agrícolas.
No setor de infraestrutura, a administração pretende melhorar as estradas vicinais e o escoamento da produção dos municípios com a aquisição de 3.591 retroescavadeiras, por R$ 650 milhões, e 1.330 motoniveladoras, por mais R$ 638,6 milhões. Também serão destinados R$ 721 milhões para a compra de 160 vagões de trens urbanos para a CBTU (Companhia Brasileira de Trens Urbanos) e Transurb.
O SUS (Sistema Único de Saúde) receberá 3.125 furgões, que serão utilizados como ambulâncias e unidades de odontologia móvel, com o aporte de R$ 480,5 milhões.
A Polícia Federal contará com mais 500 motocicletas, que custarão R$ 22,3 milhões. E a Defesa Nacional elevará a frota em 30 veículos lançadores de mísseis Astro 2020, por R$ 246 milhões, e 40 blindados Guarani, que totalizarão R$ 342,4 milhões.
Na Educação, o governo pretende alocar R$ 456 milhões para a compra de mobiliários escolares.
NA REGIÃO
O PAC Equipamentos tem grande chance de beneficiar a indústria da região, principalmente o setor de autopeças. No entanto, é interessante que o governo dê continuidade aos estímulos, apontam representantes das empresas do Grande ABC. "A gente tem que louvar a iniciativa de contribuir para reduzir os estoques", disse o diretor do Ciesp (Centro das Indústrias do Estado de São Paulo) de Diadema, Donizete Duarte da Silva. "Mas penso que são necessárias mais medidas de estímulo que reduzam os custos da produção. E é necessário pensar no longo prazo", completou.
O diretor do Ciesp de São Bernardo, Hitoshi Hyodo, destacou que o setor de autopeças da região passa por período ruim. "Especialmente o segmento que fornece para a indústria de caminhões", garantiu. Ele avaliou como positivo o pacote para o Grande ABC, mas alertou que é necessário esperar se as compras serão com empresas da região e disse que o tempo para que haja demanda de autopeças não é imediato.
Presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de Santo André, Cícero Firmino, conhecido como Martinha, afirmou que vem enfrentando dificuldades nas negociações com empresas que atendem a indústria de pesados. Mas espera que o pacote gere bons resultados. "Nossas conquistas são sempre maiores quando a economia (regional) está melhor."
O diretor do Ciesp de Santo André, Emanuel José Viveiros Teixeira, concorda que a medida é positiva e espera que gere bons resultados para a indústria nacional. Mas sobre a região, argumentou que o estoque de caminhões e ônibus nas montadoras está alto. "São cerca de 60 mil unidades." Acrescentou que as compras, de cerca de 16.570 veículos, podem não ser o suficiente para movimentar a cadeia no Grande ABC, ou seja, não chegar até as empresas de autopeças.
INCERTEZAS
Ainda não é possível estimar qual será o montante que o PAC Equipamentos vai gerar na economia nacional, disse o professor de Economia da FSA (Fundação Santo André) Volney Gouveia. "Por enquanto, a única previsão é da CNI (Confederação Nacional da Indústria), que estimou 0,12% do PIB (Produto Interno Bruto), o equivalente a R$ 20 bilhões, somente na cadeia industrial", explicou. "Mas existe a possibilidade deste valor ser muito maior, considerando os outros setores."
Na avaliação do consultor do Proced (Programa de Capacitação da Empresa em Desenvolvimento), da FIA, Leo Raifur, aproximadamente metade dos R$ 8,43 bilhões anunciados pelo governo terá efeito positivo no emprego e na renda nacional.
Mesmo confiante de que este é o primeiro passo, Gouveia analisou que seria necessário mais. "O que falta? Em linhas gerais, nós temos um problema na economia brasileira que é a produtividade dos fatores. Traduzindo, produzir é muito caro no Brasil." Para ele, o Executivo federal deve continuar com os estímulos tributários, como a redução do IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados), como também melhorar a infraestrutura do território nacional.
Gouveia ressaltou que o governo deve manter a política de juros menores. Ao reduzir a Selic, taxa básica de juros, o Executivo paga menos pelos seus títulos. "Imagine essa economia revertida para o PAC", ponderou o economista. Destacou ainda a necessidade de melhorar o investimento em Educação e a manutenção de políticas de câmbio para melhorar o ambiente aos exportadores.
O presidente da Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo), Paulo Skaf, disse que as medidas são positivas para o País, mas não serão suficientes para "reanimar a economia brasileira". "O pacote de estímulos de R$ 8,4 bilhões contempla compras governamentais que terão ainda de passar por processo de licitação e, portanto, não serão suficientemente rápidas para aplacar os efeitos do baixo crescimento que precisa ser combatido agora", apontou.
A Fecomercio-SP (Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo) também avaliou o pacote como insuficiente. "O governo está agindo de maneira correta e mostra que está preocupado e atento aos fatores de risco para a economia nacional. A entidade destaca que o novo pacote, mesmo somado às quedas de juros e redução do spread bancários, deve começar a mostrar seus efeitos somente no fim do ano.
Durante a apresentação do PAC Equipamentos, o ministro da Pasta, Guido Mantega, garantiu que continuará adotando medidas anticíclicas para ampliar investimento, estimular a demanda e incentivar o consumo caso a economia mundial continue no sentido da desaceleração.
Para o gerente de pesquisas da Fundação Seade (Sistema Estadual de Análise de Dados), Alexandre Loloian, o pacote é bem-vindo e inova, ao centrar em compras governamentais. "O Brasil apostou muito em crescer só o consumo das famílias e não dá para continuar apenas com isso." No entanto, ele critica o plano, por oferecer só medidas pontuais. "Falta visão estratégica, de longo prazo, para daqui dez ou 15 anos".
DÓLAR
Os especialistas e representantes de classe entrevistados pela equipe do Diário concordam que este é o primeiro passo do governo federal no estímulo ao investimento das empresas. Na avaliação deles, faltava mais atenção para esse lado, que é uma das pontas para o crescimento econômico do País.
Até o pacote anunciado ontem, o governo tinha aplicado medidas que, de modo geral, têm como objetivo aquecer o consumo. Entre elas estão o Plano Brasil Maior, com reduções de tributos em produtos e em folhas de pagamentos, contração da Selic, fomento ao crédito por meio dos bancos públicos e desvalorização do real frente ao dólar.
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