Governo federal adota tecnologia mais barata


Brasília - A partir do próximo ano, os grandes computadores serão substituídos por sistemas de grid computing. C ansado de tentar negociar preços mais baixos com os fornecedores de mainframes (supercomputadores) e nunca conseguir uma redução de custos nessa área, a Secretaria de Logística e Tecnologia da Informação (SLTI), do Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão, decidiu começar a instalar em 2005, na Administração Federal, a tecnologia de "computação de grade" (grid computing).
O primeiro passo para acabar com a dependência do governo nessa área, em que o preço é imposto pelo fabricante, já foi dado. Um cluster de 412 megaflops, com capacidade aproximada de 4,3 terabytes de disco já está em fase de licitação e, segundo o secretário Rogério Santana, até dezembro o governo espera definir esse processo de contratação. "Nós temos esperanças de que essa tecnologia de grid possa mudar completamente esse cenário", destacou o secretário.
Santana explicou que o governo não está adotando medida no sentido de acabar, do dia para a noite, com o uso do mainframe na Administração Federal. Os supercomputadores, segundo ele, ainda continuarão a fazer parte do cenário de processamento de dados do governo por muito tempo.
O que se deseja, entretanto, é mudar imediatamente a relação comercial desse produto, que hoje ocorre em mão única: o fornecedor impõe o preço, segundo o secretário, porque sabe que o governo não tem como não expandir sua capacidade de processamento de dados. "Um estudo que o Serpro apresentou num último debate que fizemos recentemente, mostra que a única área que não diminuiu foi a de mainframe. É a única área cuja curva de crescimento dos gastos é sempre ascendente", afirmou.
A tecnologia de grid computing, já muito utilizada no meio acadêmico e em alguns setores da economia (financeiro e de telecomunicações), pode mudar essa relação comercial, segundo Rogério Santana, porque consiste no aproveitamento, em processamento de dados, da capacidade ociosa que o governo dispõe hoje em desktops e servidores espalhados por diversos órgãos e ministérios.
Trabalhando conjuntamente, esse contingente de máquinas pode executar tarefas atualmente restritas aos grandes computadores, a um custo muito mais baixo para o governo do que a compra ou a ampliação da capacidade de armazenamento e processamento dos atuais supercomputadores. Tendo essa ferramenta nas mãos, Santana acredita que nenhum fornecedor poderá mais impor seu preço para a compra ou expansão de um mainframe junto ao governo. Em outras palavras, o governo está adotando a mesma estratégia que vem aplicando aos fornecedores de softwares proprietários, quando decidiu adotar os sistemas de códigos abertos, os "softwares livres".
O superintende de Produtos e Serviços do Centro de Dados do Serpro, Benedito Antonio Pontes, disse que a empresa já contabilizou a possibilidade de reduzir seus custos, se migrar dos supercomputadores para a tecnologia de grid computer. "Em termos de produção, se colocarmos uma plataforma avançada ela será, no mínimo, 30% mais barata que o mainframe, considerando o hardware que ele consome, os softwares necessários e a manutenção desse parque", disse o superintendente.
O Serpro gasta em torno de R$ 60 milhões (valor estimado na área de produção) por ano com mainframe para garantir serviços de manutenção de hardware e uso de software. Ainda é obrigado a investir cerca de R$ 20 milhões por ano na compra de máquinas e armazenamento.
O secretário de Logística e Tecnologia da Informação explicou que esse processo de relacionamento comercial chegou a um ponto tal que, atualmente, se um determinado órgão do governo desejar aumentar 50% sua capacidade de processamento na área de supercomputadores, fatalmente terá de pagar 50% mais caro aos fornecedores, mesmo que a medida tenha apenas caráter preventivo, ou seja, que o órgão continue utilizando a capacidade de processamento que dispunha. "Eu continuo usando o que eu usava no dia anterior, mas já pago 50% mais por um processador que está disponível e 50% ou 60% a mais de software, porque o preço é exponencial", criticou.
Santana também afirmou que o software na área de mainframe tem sido outro grande vilão contra a política de redução de custos do governo com tecnologia. Porém, admite que nessa área o problema é mais sério, porque ainda não estão disponíveis no mercado produtos não proprietários que possam suprir a demanda do governo. Mas este cenário pode mudar em breve, segundo |Rogério Santana: "Nós temos pesquisas com várias universidades, projetos se candidatando a receber recursos do governo para desenvolver nova tecnologia", anunciou.


19/10/2004

Fonte: Gazeta Mercantil

 

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