Fundação Nacional de Saúde e Infraero também cancelaram licitações


Depois de várias tentativas frustradas de participar das milionárias licitações na área de informática em Brasília, o empresário Luiz Souza começa a vislumbrar vitória numa guerra jurídica que travou contra alguns órgãos públicos. Gaúcho, 42 anos, analista de sistemas, o principal executivo da Freedows Consortium garante que seu sistema operacional custa um décimo do valor cobrado por algumas multinacionais.
A licitação da Câmara não é a única cancelada depois que a Freedows Consortium começou a cobrar igualdade de tratamento no mercado de informática governamental. Segundo ele, a Fundação Nacional de Saúde e a Infraero também cancelaram recentemente licitações para compra exclusiva de produtos Microsoft. "Na compra em que a Câmara dos Deputados gastaria até R$ 8 milhões, eu entregaria o mesmo produto por R$ 800 mil", garante Luiz.
Para tentar sensibilizar os políticos para a necessidade de livre concorrência na Esplanada dos Ministérios, a Freedows já enviou mensagens para a chefe da Casa Civil, ministra Dilma Roussef, o vice-presidente José Alencar, ministérios e órgãos de fiscalização e controle, exemplo do Tribunal de Contas da União.
As empresas brasileiras que podem fornecer produtos de informática ao governo, diz Luiz, são excluídas na hora da redação dos editais de leilões eletrônicos e outros tipos de licitações. Os órgãos públicos especificam a compra de produtos Microsoft nos editais e com isso acabam impedindo quaisquer outras empresas de apresentar seus produtos. "Dá uma sensação de impotência ser eliminado de antemão nas licitações. As pessoas do governo te descredenciam", lamenta o empresário.
A Freedows já conseguiu vender seu sistema operacional para o Ministério do Trabalho e para o Instituto Nacional de Meteorologia. Outros órgãos públicos estão em processo de homologação para utilizar o sistema operacional. Várias empresas privadas já utilizam o sistema da empresa, diz Luiz. Ele diz que o editor de textos da empresa roda nos sistemas Linux e Microsoft. "Nosso software é aberto e o cliente tem acesso à tecnologia do produto e não paga por atualizações", diz o empresário.


06/01/2006

Fonte: Gazeta Mercantil

 

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