Ex-diretor nega fraudes nas licitações dos Correios


Apesar de pressionado pelos deputados e senadores integrantes da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) dos Correios para que esclarecesse os esquemas de fraudes nas licitações, o ex-diretor de Contratação e Administração de Material da Empresa de Correios e Telégrafos, Maurício Marinho, declarou nesta terça-feira aos parlamentares que não conhece fraudes nesses processos. "Desconheço se há um processo de infecção generalizada na empresa", disse Marinho. Ele ressaltou ainda que todos os processos licitatórios da ECT estão apresentados de forma transparente no site da empresa.
A primeira parte do depoimento de Maurício Marinho durou mais de quatro horas e foi interrompida no início da madrugada desta quarta-feira devido ao cansaço geral. O depoimento do ex-diretor vai continuar hoje, às 9 da manhã.
Vítima de arapongas
O pivô do escândalo nos Correios admitiu, porém, ter cometido algumas irregularidades na estatal, mas negou qualquer envolvimento com corrupção. Marinho afirmou aos parlamentares ser vítima de arapongas, que o abordaram por 45 dias e fizeram a gravação do suborno, e que apenas contou bravatas para se vangloriar. "Eu sei que falei demais, eu sei que envolvi pessoas. Eu sei que trabalhei dentro dos Correios, mesmo fora do horário, tratando de assuntos que não eram da empresa. Recebi um dinheiro que não pedi. Não estou me eximindo das minhas responsabilidades", disse.
Maurício Marinho acrescentou que pegou os R$ 3 mil oferecidos na gravação porque estava exausto e não pensou no que estava fazendo. Foi o que ele chamou de "lavagem cerebral" feita pelos supostos empresários.
O ex-diretor também desmentiu qualquer envolvimento do PTB com corrupção na estatal, afirmou que não tem relacionamento pessoal com o presidente licenciado do partido, deputado Roberto Jefferson (RJ), e garantiu não ter ingerência direta sobre as licitações da empresa. Marinho disse acreditar que foi vítima de uma farsa montada por empresários descontentes com suas ações de transparência no departamento que chefiava nos Correios.
Insatisfação
De forma geral, os deputados e senadores da CPMI viram muitas contradições no depoimento de Marinho. Inconformada com as respostas do ex-diretor, a senadora Heloísa Helena (PSOL-AL) afirmou que ele falava de forma cínica e dissimulada nas fitas que flagraram o funcionário dos Correios recebendo a propina.
A senadora disse ainda estar convicta de que haveria uma “rede de promiscuidade” entre o Palácio do Planalto, os partidos políticos e o Congresso Nacional para fraudarem licitações nas empresas públicas, mas não conseguiu nenhuma resposta positiva de Marinho a esse respeito.
O deputado Antonio Carlos Magalhães Neto (PFL-BA) questionou o ex-diretor sobre suposta ingerência da Casa Civil e do PT nas licitações dos Correios. Ele respondeu que sabia apenas de uma licitação específica, envolvendo a empresa H.H.P, para compra de microcoletores de dados. Segundo o depoente, seria "voz corrente" que essa empresa teria vínculos com o PT e com Sílvio Pereira, secretário-geral do PT. No entanto, ele complementou que essa licitação teria sido revogada.
Marinho também afirmou a Antonio Carlos Magalhães Neto que nunca conheceu o publicitário Marcos Valério de Souza, citado pelo deputado Roberto Jefferson (PTB-RJ) em depoimento ao Conselho de Ética como intermediário do esquema conhecido como "mensalão". Ele disse que soube do publicitário apenas pelos jornais.


22/06/2005

Fonte: Agência Câmara

 

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