Cada vez menos ``virtual``, o estaleiro Promar Ceará foi escolhido como a melhor proposta de preço apresentada na licitação para construir oito navios gaseiros. O projeto cearense, encabeçado pela empresa PJMR, concorre com dois estaleiros do Rio de Janeiro - Ilha S/A (Eisa) e Mauá. A concorrência faz parte do Programa de Modernização e Expansão da Frota (Promef) II, da Transpetro - subsidiária da Petrobras.
O período de recurso contra a decisão terminou na segunda-feira passada, 21. Portanto, o resultado desta fase é definitivo e somente poderá ser revertido caso não haja acordo em relação ao preço final negociado entre licitante e licitado.
``No próximo mês (janeiro de 2010) já deve ser concluído esse processo``, informa o presidente da Transpetro, Sérgio Machado. Caso seja confirmada definitivamente a vitória do Promar Ceará, o próximo passo será apresentar o projeto a bancos financiadores, ao passo que a Transpetro captará recurso para bancar a construção das embarcações, explica.
``Os navios são construídos concomitante ao estaleiro. O primeiro navio deve ser recebido em 2012``, informa o presidente. Mesmo que em proporções diferentes, o resultado desta concorrência assemelha-se ao que aconteceu com o Estaleiro Atlântico Sul (EAS), em Recife (PE). A ideia deste ``estaleiro virtual`` foi criada em 2005 e tem como sócios os Grupos Camargo Corrêa e Queiroz Galvão, a sul-coreana Samsung Heavy Industries (SHI) e a PJMR. O empreendimento foi orçado em R$ 1,4 bilhão e possui capacidade de processamento de 160 mil toneladas de aço por ano. ``As pessoas diziam -virtual- e se tornou real e altamente competitivo``, comenta.
O Promar, por sua vez, é um empreendimento de médio porte, mas, conforme Machado, tem possibilidades de ampliação, inclusive de produzir barcos de apoio. ``Nós temos a necessidade de 146 barcos de apoio para a Petrobras``, lembra. Em 2010, a Transpetro vai receber seis navios do Promef I, quatro de Pernambuco e dois do Rio de Janeiro.
A proposta cearense é gerar seis mil empregos, entre diretos e indiretos. Se seguir o exemplo do EAS, essas vagas de trabalho serão, em sua grande maioria, locais. Os dois concorrentes do projeto cearense são de peso. O Estaleiro Mauá, por exemplo, está habilitado a construir diferentes tidos de embarcações. Na carta de projetos podem entrar cargueiros, full-containers, navios-tanque, graneleiros, químicos, equipamentos de off shore e plataformas petrolíferas.
Indústria naval
Machado faz um desabafo em relação à revitalização da indústria naval no Brasil. ``Difícil foi tirar da inércia. Há seis anos, ninguém acreditava e, agora, está com tudo``, comenta. ``Nosso objetivo é criar uma indústria naval competitiva. A indústria naval está gerando 15 mil empregos gerados, entre construir estaleiros e navios, informa Machado.
Ele garante que Promef vai ter continuidade. A Transpetro já estuda a versão seguinte do projeto, tendo como base a demanda de navios por parte da Petrobras para atender a exploração da camada do pré-sal. Além disso, o presidente da empresa argumenta a necessidade de mudar a matriz de transporte nacional, atualmente fundada no transporte rodoviário. ``O modal rodoviário é muito mais caro e mais poluidor. Nós temos sete mil quilômetros de costa e temos que aproveitar esse potencial para realizar mais cabotagem``, defende.
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