Especialistas cobram compromisso com compras públicas sustentáveis


Especialistas que participaram dos Diálogos para o Desenvolvimento Sustentável na manhã deste domingo (17) elegeram as compras públicas sustentáveis como uma das três recomendações da sociedade civil para a Rio+20 na área de produção e consumo.
Organizados pelo governo brasileiro, os Diálogos fazem parte da programação oficial da conferência e contam com dez paineis sobre temas considerados prioritários para o desenvolvimento sustentável. Cada um desses paineis tem como missão selecionar três recomendações que depois serão levadas aos chefes de Estado e de governo que participam do encontro de cúpula.
As outras duas recomendações escolhidas na manhã deste domingo foram a incorporação de dados ambientais e sociais no cálculo do PIB (eleita pelo público presente ao debate) e o fim dos subsídios aos combustíveis fósseis e o desenvolvimento de incentivos fiscais verdes (escolhida em votação pela internet).
Ao anunciar o resultado da votação em coletiva de imprensa, a ex-primeira-ministra da Noruega, Gro Brundtland, explicou que a questão da inclusão de critérios de sustentabilidade nas licitações para a compra de bens e serviços do setor público pode funcionar como um catalizador de mudanças no mercado.
"Na União Europeia, 16% do investimento total passa por esse processo [de licitação pública]. Na América Latina, são 20%. Portanto, isso pode ter uma influência muito grande sobre a economia", disse Brundtland, que é considerada "mãe" do conceito de desenvolvimento sustentável -- foi uma comissão presidida por ela na década de 80 que o definiu como aquele capaz de satisfazer as necessidades da geração presente sem comprometer a capacidade das gerações futuras de satisfazerem suas próprias necessidades.
Para o diretor-presidente do Instituto Akatu pelo Consumo Consciente, porém, apenas diminuir os impactos ambientais negativos dos produtos não será suficiente para fazer frente aos desafios atuais. Ele defende que, além disso, é preciso mudar os padrões de consumo da humanidade.
"Isso não significa diminuir o bem estar das pessoas", diz. Para ele, o consumo passará por uma revolução nos próximos anos, com produtos duráveis substituindo os descartáveis, produtos virtuais tomando o lugar de reais (como no caso do MP3 e dos CDs) e o uso compartilhado substituindo o uso individual (como no caso de um sistema público de transporte por bicicletas).
Também presente ao debate, a fundadora da empresa francesa de consultoria em sustentabilidade Utopies, Elisabeth Laville, disse que será preciso rever o "american way of life", marcado pelo consumismo. "Ele traz custos para o planeta, e as pessoas não estão vivendo mais nem mais felizes por causa dele", afirmou.


17/06/2012

Fonte: Folha.Com

 

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