Empresas de ônibus de São Paulo querem mudanças na licitação dos transportes


Se depender das empresas de ônibus que hoje operam na cidade de São Paulo, o edital definitivo da licitação do sistema terá mudanças em relação às minutas apresentadas pela prefeitura, que recebe até o dia 03 de fevereiro sugestões na fase de consulta pública.

As viações do subsistema estrutural, que são as aquelas que operam ônibus maiores nas linhas que passam pelo centro da cidade, devem entregar à prefeitura um caderno com cerca de 70 páginas de sugestões para alterações nas propostas de edital.

“Há erros pontuais, como na discriminação de linhas e frota e apontamento de itens que não existem, mas que são anunciados nas minutas. Mas, tirando as questões pontuais, acreditamos que há aspectos a serem debatidos e eventualmente alterados em relação à remuneração, operação, lei de mudanças climáticas, tecnologia e manutenção e também questões jurídico-legais” – disse o presidente do SPUrbanuss, sindicato que congrega as viações, Francisco Christovam, em encontro com jornalistas que cobrem o setor na última quarta-feira, 17 de janeiro de 2018, que também teve a participação do Diário do Transporte.

CONCESSÕES X LICITAÇÃO:
As empresas questionam também como devem ficar as operações do sistema diante do anúncio do prefeito de São Paulo, João Doria, de conceder à iniciativa privada a operação da bilhetagem eletrônica e dos terminais de ônibus.

Por exemplo, quanto aos terminais, João Doria deve permitir que as empresas que assumirem os espaços construam na área empreendimentos associados, como shoppings, faculdades, escritórios e imóveis residenciais.

Para o sindicato, precisam ficar mais claros quais são os impactos destas novas construções na operação dos ônibus, como vias de acesso, trânsito, espaço para curva e manobra de modelos articulados, superarticulados e biarticulados.

A concessão à iniciativa privada da bilhetagem eletrônica também é outro ponto questionado pelas empresas.

A licitação prevê a formação de uma SPE – Sociedade de Propósito Específico, entre todas as empresas que vencerem a concorrência para a gestão de terminais, rede de comercialização de bilhetagem eletrônica e a compra do hardware e software para a implantação de um CCO – Centro de Controle Operacional único.

“No entanto, muita coisa que as empresas vão ter de investir por meio desta SPE também vai ser alvo de concessão a agentes privados que não são dos transportes. Serão dois investimentos na mesma coisa?” – questionou Christovam.

ÔNIBUS MENOS POLUENTES:

A licitação dos transportes coletivos da cidade de São Paulo, de maneira inédita no País, aborda questões ambientais.

Seguindo a nova proposta da Lei de Mudanças Climáticas, que teve a parte da inspeção veicular vetada pelo prefeito João Doria, a licitação deve estipular metas de redução de poluição pelos ônibus em São Paulo.


22/01/2018

Fonte: Diário do Transporte

 

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