Dilma dobra aposta


Exibindo recordes de aprovação pessoal e de governo e viabilizando um indicador para lá de positivo, de estoque de dívida líquida do setor público cadente e projetada em 35% do PIB para este ano, a presidente Dilma Rousseff dobra sua aposta no mix de política econômica, acenado desde o início da sua gestão, em que maior rigor fiscal abre espaço para a prática de juro menor.
O governo assumiu lá atrás o compromisso de cumprir a meta de superávit “cheia” – sem dedução de gastos com investimentos do PAC – até 2014 e reafirma o objetivo. Mesmo com as recentes medidas de estímulo à economia anunciadas pelo governo, com aumento de compras governamentais, a meta de superávit primário equivalente a 3,1% do PIB será cumprida, garante Arno Augustin, secretário do Tesouro Nacional, em entrevista exclusiva a Ribamar Oliveira e Edna Simão, do Valor, na edição desta segunda-feira.
O secretário afirma que, quanto mais pessimista for o cenário da crise europeia, mais forte deve ser a política fiscal do Brasil, pois esse comportamento evita a desconfiança do mercado com relação às empresas brasileiras. Augustin explica que o ajuste forte das contas públicas ajuda a manter as portas abertas para as empresas se financiarem, com taxas mais adequadas.
Na entrevista concedida ao Valor, o titular do Tesouro reforçou a indicação que vem sendo dada pelo Banco Central (BC) de que o Brasil está estreando um novo (e mais baixo) patamar de taxa de juro. “Temos que aproveitar o momento de crise para sair com uma coisa positiva: sairmos com taxas de juros mais adequadas”, ressaltou Augustin. Para atingir esse objetivo, o secretário disse que é importante manter uma política fiscal forte.
Na sequência de cortes da taxa básica de juro em 4 pontos percentuais, redução do prognóstico do BC para a expansão da economia neste ano de 3,5% para 2,5% e diminuição da Taxa de Juro de Longo Prazo (TJLP), de 6% para 5,5%, pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), o secretário destacou que a aproximação da taxa Selic com a TJLP faz com que, aos poucos, as empresas reduzam a dependência com relação aos créditos concedidos pelo BNDES. Nessa nova situação, avalia, as instituições financeiras privadas poderiam abastecer o mercado com os financiamentos de longo prazo.


02/07/2012

Fonte: Valor Investe, Valor Econômico

 

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