"Não vai mudar nada, teremos Copa com ou sem o túnel de drenagem", sentenciou Demétrio Torres, secretário extraordinário para Assuntos Relativos à Copa do Mundo 2014, quando questionado sobre atrasos no início das obras de drenagem entre as imediações onde o estádio Arena das Dunas está sendo erguido e o rio Potengi. Segundo Torres, toda a chuva que cair na cobertura do estádio será armazenada para reutilização pelo próprio complexo esportivo, "ou seja, mesmo se o túnel não for feito a situação atual não será agravada pelo Arena das Dunas, pelo contrário, o volume de água será menor", garantiu. As obras do estádio seguem normalmente e o imbróglio envolvendo a obra de drenagem não afetou o cronograma da Secopa. "A primeira coisa que fizemos na área do estádio foi a drenagem", lembrou o secretário.
O túnel irá interligar as lagoas de captação do Preá, do Centro Administrativo (que irá receber a drenagem do entorno do Arena das Dunas), dos Potiguares, de São Conrado e da Cidade da Esperança. Atualmente o sistema de drenagem funciona com a utilização de bombas, que jogam as águas pluviais de lagoa em lagoa até chegar ao rio Potengi, método subdimensionado para atender a demanda - detalhe importante: quando pronta, a obra irá evitar o uso de bombas, uma vez que a drenagem através do túnel será feita por gravidade.
Orçado em R$ 126 milhões, o projeto será construído com recursos federais e deverá evitar a recorrência de alagamentos nos bairros de Nova Descoberta, Lagoa Nova, Dix-Sept Rosado, Nazaré Bom Pastor Km 6 e parte de Felipe Camarão. Demétrio Torres não acredita na possibilidade "dos recursos serem devolvidos".
As obras, sob responsabilidade da Semopi, deveriam ter começado no início deste ano, mas a ausência de detalhamento nos Estudo de Impacto Ambiental e Relatório de Impacto Ambiental (EIA/RIMA), para emissão da licença ambiental, foram alvo de inquérito civil impetrado pelo MP, que recomendou à Justiça a suspensão da permissão concedida pelo Idema-RN baseado em Relatório Ambiental Simplificado (RAS). No entendimento do MP, a falta do EIA/RIMA traz riscos de danos ambientais, sociais e econômicos. "Não entendo os 'porquês' da suspensão, mas deixei de acompanhar a questão desde a minha saída do município", disse Demétrio Torres, cujo projeto de drenagem foi elaborado durante sua passagem pela Semopi, há três anos. "Como cidadão, lamento a celeuma criada em torno da obra".
24/07/2012
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