SÃO PAULO - O Produto Interno Bruto (PIB) deve continuar a apresentar números positivos este ano, mas há incerteza em relação a 2011. Apesar de levar a euforia de um 2010 de forte avanço, não há sinais de que no próximo ano haverá controles de gastos públicos e reajustes na contas do governo, heranças negativas deste ano.
Na última sexta-feira, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou uma expansão de 1,2% no segundo trimestre deste ano em relação ao primeiro e de 8,8% com relação ao mesmo período de 2009.
O acumulado registra alta de 8,9% comparado a janeiro a junho do ano passado, considerada a mais forte elevação para todos os semestres da série histórica, iniciada em 1996, segundo a gerente da Coordenação das Contas Nacionais do IBGE, Rebeca Palis.
Na comparação com trimestre imediatamente anterior, as principais contribuições para a alta do PIB foram o consumo da administração pública, em decorrência das eleições (de alta de 0,8% para alta de 2,1%); no lado da produção, a agropecuária, com alta de 2,1%; e, pela ótica da demanda, a Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF), com alta de 2,4%. "A FBCF, que foi o componente mais afetado pela crise, é também o que está apresentando grande recuperação", disse.
O resultado foi bastante comemorado pelo governo. Contudo, especialistas consultados pelo DCI apontam para a expectativa de que o próximo governo, caso as pesquisas eleitorais - que indicam a candidata Dilma Rousseff (PT) como a próxima presidente - se confirmem, não reduzirá gastos públicos.
"Os exagerados gastos do governo causam preocupação. Ainda que o Banco Central (BC) não tenha elevado a Selic (taxa básica de juros), em 2011, ela terá que subir para conter a pressão do dispêndio público. Sentiremos isso já nos primeiros meses de 2011", alerta o conselheiro da Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade (Anefac), Roberto Vertamatti.
O professor Osmar Visibelli, da Escola de Negócios e Direito da Anhembi Morumbi, chama a atenção com o alcance do superávit primário.
"Discute-se hoje se é necessário uma revisão da meta, já que não atingi-la provoca desconfiança do mercado", diz.
Segundo ele, os gastos públicos levarão à necessidade de financiamento externo, o que é preocupante com uma crise internacional ainda vigente. "A situação também se complica, visto que, com a possível entrada da Dilma e como ela não tem luz própria, subirá os gastos para fortalecer o mandato", diz ele, que prevê alta do PIB em 2011 entre 4% e 4,5%.
Outro ponto de preocupação que Vertamatti levanta é sobre a balança de pagamentos brasileira. "Hoje, temos uma reserva de US$ 260 bilhões, mas há um déficit nas transações correntes. O BC previa que a entrada de investimentos aumentasse nesse ano. Mas por causa da crise externa, ela veio em patamares inferiores ao previsto", analisa.
"Muito se comemora com o resultado do PIB deste segundo trimestre. Mas esquecemos que estamos atrás de países como o Chile e o México", aponta Visibelli. Em uma relação de 16 países que já divulgaram o PIB do segundo trimestre na comparação com o primeiro trimestre, com ajuste sazonal, o Brasil ocupa o 5º lugar, atrás do Chile (4,3%), México (3,2%), Alemanha (2,2%) e Coreia do Sul (1,5%).
Juros
O Banco Central informou por meio de nota que os dados divulgados pelo IBGE confirmam a previsão da autoridade monetária sobre o crescimento do PIB. A taxa de crescimento de 1,2% no segundo trimestre se posicionou ligeiramente abaixo da variação do IBC-Br (1,3%).
Para 2010, o BC estima avanço de 7,3%. "Caso essa taxa (de 7,3%) se confirme, é fácil de entender que o crescimento médio dos próximos dois trimestres será de 0,7% cada, crescendo moderadamente. Portanto, o BC está confortável", disse Henrique Meirelles, presidente do BC.
Em nota, a Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (Fecomercio) avalia que o resultado do PIB indica que o BC deve, já na reunião de outubro, reiniciar o processo de cortes da Selic, de forma a não comprometer o bom momento econômico do País. "Claro que se os gastos do governo fossem mais eficientes, o País teria condições de crescer a um ritmo adequado por um período longo", observa o presidente da Fecomercio, Abram Szajman.
Divulgado o crescimento de 8,9% do PIB no primeiro semestre, economistas estão preocupados com indicadores em 2011.
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