A Administração mudou mais uma vez a forma de escolha dos projetos executivos de recuperação do Centro de Convivência Cultural e, em vez de fatiar a licitação em três fases, como havia anunciado há um mês, fará o processo em duas. A primeira, com previsão de publicação do edital em agosto, vai eleger os projetos de estrutura e impermeabilização; a segunda será destinada à parte eletromecânica (energia, hidráulica e esgoto). Os projetos executivos definirão o que precisará ser feito e quanto vão custar as obras. A previsão é entregar o espaço reformado em 2015.
O secretário de Infraestrutura, Carlos Santoro, informou que os termos de referência para as duas licitações tramitam na Prefeitura. Segundo ele, a decisão de colocar na mesma licitação de projeto executivo a estrutura e a impermeabilização foi tomada porque são atividades correlatas. Santoro estima que esse projeto deverá custar cerca de R$ 500 mil — caro porque, informou, será necessário realizar testes de estabilidade da estrutura. O outro, da parte eletromecânica, ficará abaixo de R$ 150 mil, possibilitando a contratação por carta-convite. De acordo com o secretário, as obras serão licitadas em 2014.
Estimativas feitas pela Administração passada indicavam que a recuperação do Convivência custaria R$ 50 milhões, recursos dos quais a Prefeitura não dispõe. “Os projetos executivos nos dirão o que precisará ser feito e quanto vai custar, mas é certo que o valor ficará bastante abaixo do estimado inicialmente. Se tivesse que chutar, diria que o custo ficará entre R$ 10 milhões e R$ 15 milhões”, analisou Santoro.
Ele afirmou que não está preocupado com a infraestrutura do local, que será recuperada. “O que temos lá é precariedade de tratamento do espaço, que ficou abandonado e foi se deteriorando”, comentou.
Deterioração
As precariedades do Centro de Convivência são muitas. Há fios expostos, ligações de energia clandestinas, goteiras, bastante umidade no chão e nas paredes por conta da infiltração e até esgoto a céu aberto. Do lado de fora, os problemas também são visíveis. Os pilares próximos à entrada onde funcionava o setor administrativo da Orquestra Sinfônica têm rachaduras e o chão cedeu.
As arquibancadas do Teatro de Arena encontram-se em mau estado de conservação e os primeiros degraus que dão acesso ao teatro apresentam início de erosão — isso permite que a água da chuva escoe ainda mais para dentro do espaço, contribuindo para a infiltração.
Fechado por seis anos, o local foi reaberto no final de 2011. Ele havia sido fechado para o público em 2005, depois de se transformar em palco de conflitos entre gangues de pichadores. O teatro não passou por reforma, não recebeu pintura nem qualquer tipo de intervenção antes de ser entregue à população.
Um laudo técnico financiado pela concessionária Aeroportos Brasil Viracopos apontou que a situação de deterioração da edificação é grave, mas que é possível recuperá-la. “Havia dúvidas se seria possível recuperar o prédio e o laudo nos disse que sim. Por isso, pedi que os secretários envolvidos no projeto acelerem as licitações necessárias”, disse o prefeito Jonas Donizette (PSB).
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