O que deveria ser um paliativo para a inexpressiva coleta seletiva de Belo Horizonte tornou-se mais um problema de limpeza urbana na cidade, ainda sem previsão de ser solucionado. Os mais de 300 contêineres dos chamados locais de entrega voluntária (LEVs), espalhados em 95 endereços da capital, já não comportam a quantidade de lixo despejado pela população – boa parte de forma inadequada. Como consequência, não só os compartimentos ficam abarrotados de resíduos, mas também o entorno dos passeios onde eles estão instalados. Quem mora ou trabalha próximo a esses locais queixa-se da sujeira, do mau cheiro e da presença de animais.
O incômodo persiste por dois motivos, avaliam moradores. De um lado, a responsabilidade é atribuída à prefeitura, que mantém espaçamento muito grande entre os dias de remoção do material. De outro, falta educação aos habitantes de uma cidade ainda não acostumada com a coleta seletiva. Atualmente, apenas 10% dos bairros de BH contam com o serviço de recolhimento de recicláveis porta a porta. O total de 28 toneladas diárias representam apenas 1,5% das 1,8 mil toneladas de lixo doméstico coletado a cada dia na capital.
Na ausência de uma cultura de reciclagem, os LEVs recebem também lixo orgânico, restos de podas de árvore, entre outros rejeitos. Apesar de representarem transtorno tão grande, os equipamentos são responsáveis apenas por 5 toneladas do total de 28 toneladas diárias de recicláveis recolhidas em BH.
A precariedade da coleta feita nos LEVs pode ser vista em uma simples volta pela cidade. A equipe do Estado de Minas esteve em seis pontos onde há contêineres instalados e constatou realidades bem parecidas. Um desses pontos fica na orla da Lagoa da Pampulha, na esquina das avenidas Otacílio Negrão de Lima e Expedicionário Benvindo Belém de Lima, onde garrafas, lâmpadas e caixas de papelão se acumulam ao lado do contêiner verde destinado apenas a vidro.
Do parque onde trabalha, em frente ao local, o jardineiro Ronaldo Celestino vê diariamente a sujeira e reclama: “O caminhão da prefeitura demora muito para buscar o lixo. Como o contêiner fica cheio, as pessoas acabam jogando os resíduos ao redor mesmo. Essa é uma cena comum”, diz. Segundo ele, para papel e plástico, a frequência de coleta é maior, mas no caso do vidro a demora é de até duas semanas.
Sem espaço no LEV, o representante comercial José Eduardo Candelori, de 63 anos, se viu obrigado a depositar os resíduos no chão. “A gente faz nosso papel, separando o lixo em casa, porque acredita na coleta seletiva, mas o recolhimento precisa ser mais eficiente”, afirma.
A falência do sistema pode ser vista ainda no cruzamento das Avenidas do Contorno e Getúlio Vargas, no Bairro Funcionários. No local, o LEV destinado ao descarte de vidro fica frequentemento cercado de garrafas, além de outros materiais e sacos de lixo comum.
Sem perspectiva
A Superintendência de Limpeza Urbana (SLU) conhece o problema, mas ainda não tem uma medida efetiva para resolvê-lo. O número de contêineres espalhados na capital vem diminuindo, segundo o diretor de Planejamento do órgão, Lucas Paulo Gariglio. Passaram de aproximadamente 450 em 2007 para os cerca de 300 atuais. O motivo, segundo ele, é o mau uso e a depredação dos LEVs. “As pessoas acabam jogando todo tipo de lixo no conteiner e, quando o caminhão recolhe o material, boa parte não pode ser reciclada. Além disso, há muitos casos em que as pessoas colocam fogo nos equipamentos”, relata. Segundo ele, está em estudo a implantação de um novo sistema para esvaziamento mecanizado dos recipientes, mas ele só deve ser implantado a partir do ano que vem. Por enquanto, o cronograma de recolhimento não será alterado. “Dependemos da cooperação e da boa educação das pessoas”, afirma.
Catadores rejeitam incineração
Pressionado pelos catadores de materiais recicláveis, o governo de Minas promete estudar proposta que proíbe a incineração como método de destinação final de resíduos sólidos na licitação do megaconsórcio do lixo na Grande BH. Nessa segunda-feira, os trabalhadores da reciclagem fizeram marcha em defesa da coleta seletiva, do Barro Preto até a Assembleia Legislativa, no Santo Agostinho, Região Centro-Sul. Eles lotaram o plenário para tentar exlcuir a incineração entre as opções de tecnologia a serem adotadas na parceria público-privada (PPP) para transbordo, tratamento e disposição de resíduos sólidos urbanos.
O megaconsórcio dos resíduos sólidos vai envolver 44 municípios do chamado Colar Metropolitano, sendo que a expectativa da Secretaria de Estado de Extraordinária de Gestão Metropolitana é de lançar o edital ainda este mês. O modelo do gerenciamento do lixo será escolhido pelo vencedor da licitação, que terá o compromisso de não enterrar pelo menos 20% de todo resíduo recolhido. O temor dos movimentos de catadores é que, com a adoção da incineração, a coleta seletiva perca força nos municípios mineiros.
“Incineração e reciclagem não combinam, pois as duas usam resíduos secos. Queremos a proibição total da incineração.”, afirma Madalena Duarte, uma das coordenadoras nacionais do Movimento Nacional de Materiais Recicláveis (MNCR). “Acreditamos que o governo tem que trabalhar em outras frentes, como a indústria da reciclagem e compostagem. Com isso, o rejeito que seria levado para o aterro seria mínimo”, afirma Luciano Marcos da Silva, diretor do Instituto Nenuca de Desenvolvimento Sustentável (Insea).
Chefe de gabinete da Agência de Desenvolvimento da RMBH, Gustavo Palhares ressalta que o edital não prevê um método específico para destinação final do lixo. “A partir dessas contribuições, vamos estudar a possibilidade de mudanças no edital, para proibir o uso da tecnologia”, ressaltou Gustavo. Segundo ele, o contrato de programa que o governo vem assinando com os municípios já prevê que o produto da coleta seletiva não seja destinado à concessionária vencedora da licitação do lixo, o que já daria mais segurança ao trabalho dos catadores.
Junto do (Insea), o movimento dos catadores entregou uma proposta de projeto de lei que bane o método em Minas. O deputado estadual André Quintão (PT), a frente da audiência pública, recebeu a proposta e se comprometeu a encaminhar a questão no Legislativo. Atualmente, Minas tem 22 mil catadores organizados e quase 60 mil, no total. No país, a estimativa é de que haja 1 milhão de pessoas trabalhando com reciclagem.
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