SÃO PAULO - Ainda neste semestre, a Prefeitura de São Paulo irá iniciar o processo de licitação para a construção do projeto Praça das Artes. Em uma área de aproximadamente 30 mil metros quadrados, uma espécie de núcleo cultural será construído entre a Avenida São João e as ruas Conselheiro Crispiniano e Formosa, na região central da cidade. O espaço terá salas de ensaio, de aulas, cafés, restaurante e até um cinema.
Além de promover a revitalização do centro, a idéia é levar para o local todos os corpos artísticos do município: duas orquestras, dois corais, o balé da cidade e um quarteto de câmara. Atualmente, de acordo com a Secretaria Municipal de Cultura, os artistas ensaiam em lugares inapropriados. O balé da cidade, por exemplo, se reúne em uma sala com colunas e pé direito baixo. O coral paulistano ocupa uma salinha de onde o grupo precisa sair para tomar ar a cada hora. Isso sem contar os ensaios dos músicos da orquestra que, por falta de espaço, ocorrem nas dependências do Theatro Municipal.
- O Theatro Municipal não é apenas uma casa de espetáculos. Hoje ele é a sede dos corpos artísticos da cidade - explica Marcos Cartum, arquiteto da Secretaria Municipal de Cultura e um dos criadores do projeto.
- O teatro carece há anos da criação dos seus anexos. Os ensaios ocorrem dentro dele. E isso faz com que ele tenha a sua capacidade reduzida em pelo menos a metade do seu potencial - completa.
A construção da Praça das Artes deve demorar até dois anos e meio, segundo o arquiteto. O projeto foi orçado em R$ 70 milhões. Cinco imóveis estão em processo de desapropriação para dar espaço ao núcleo: o do Conservatório Dramático Musical, seus vizinhos (da esquerda e da direita) na Avenida São João, o do fechado Cine Cairo e o vizinho da esquerda, na Rua Formosa.
O projeto da Praça das Artes está sendo desenvolvido desde 2006, quando os donos dos imóveis desapropriados passaram a ser notificados. No local também haverá um espaço para os músicos e bailarinos fazerem fisioterapia. Haverá ainda um museu do Theatro Municipal, onde será organizado todo o seu acervo. O projeto ainda prevê um estacionamento subterrâneo.
Os proprietários do Conservatório Dramático Musical receberam R$ 4,1 milhões para deixar o edifício. Pelo seu acervo, os donos do conservatório receberam R$ 170 mil. O material será restaurado, assim como o prédio da Avenida São João, que é tombado pelo Patrimônio Histórico. Também será restaurada a fachada do antigo Cine Cairo, apesar de o imóvel ainda não ter sido tombado pelo Patrimônio Histórico.
Para desenvolver a planta, a Secretaria Municipal de Cultura contou com o auxílio do escritório Brasil Arquitetura. Participaram os arquitetos Francisco Fanucci, Marcelo Ferraz, Marcos Cartum (da Secretaria Municipal de Cultura) e Cícero Ferraz.
10/08/2008
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