SÃO PAULO - Mesmo com turbulência econômica que vem agitando os mercados, o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) abriu ontem uma concorrência para contratação de consultoria que fará um estudo de reestruturação, da Empresa Brasileira de Infraestrutura Aeroportuária (Infraero). Apesar de Lino Coutinho, presidente do BNDES, reconhecer que o momento não é propício à emissão de papéis de qualquer empresa, ele acredita que o mercado de capitais brasileiro será um dos primeiro a se recuperar, e, que, ao longo desse período é necessário ir preparando a estrutura da estatal para tal fim.
A discussão sobre a abertura de capital da Infraero é polêmica e já vem há algum tempo, isso porque o processo também pode incluir um modelo de concessão para aeroportos do País, que são 67 ao todo, entre unidades lucrativas, como o Aeroporto de Viracopos, em Campinas, e outras problemáticas financeiramente. Com isso, cogitou-se a possibilidade, de venda da empresa, mais uma vez descartada veementemente por Cleonilson Nicácio Silva, presidente da estatal, ao reafirmar que "Não haverá privatização da Infraero", como disse.
Dentro desse cenário, a consultoria que levar a concorrência terá de apresentar uma proposta técnica (que prove experiência no setor de administração aeropotuária), e quanto cobrará para realizar o estudo - o valor médio estimado no edital está em cerca de R$ 12,184 milhões, conforme pesquisa de mercado.
A consultoria terá até 30 de abril para apresentar o documento, e a escolha e a contratação do licitante deve ocorrer até quatro meses depois da publicação do edital, quando declarado o mais capacitado que terá nove meses para concluir os estudos referentes ao projeto.
De acordo com o presidente da Infraero, o estudo vai "aperfeiçoar as melhorias adotadas na gestão da empresa". Ele colocou que o resultado deve trazer uma nova estrutura das regionais e alterações no estatuto.
Referência
No site do BNDES, está descrito que a análise do posicionamento da Infraero deve levar em consideração os padrões de excelência de unidades estrangeiras, como os aeroportos de Toronto e Vancouver, no Canadá, os de Atlanta e Memphis (este último, de carga) nos Estados Unidos, o de Frankfurt (administrado hoje pela privada Fraport) e os franceses da Aéroports de Paris (ADP).
Também são citados os aeroportos espanhóis, que são de responsabilidade da estatal Aeropuertos Españoles y Navegación Aérea (Aena), que, segundo fontes de setor, possui um modelo bem parecido com o que mais agrada à Infraero hoje.
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