Atraso em licitação no Ministério da Sáude compromete distribuição de medicamentos


A Coordenação Estadual de IST/AIDs e Hepatites Virais informa que o Ministério da Saúde (MS) está enviando aos estados em quantidade reduzida os medicamentos Anti-Retrovirais, usados no tratamento dos pacientes com HIV. A coordenação já acionou o MS, que afirmou tratar-se de um problema causado por atraso no processo licitatório para compra dos remédios. O órgão federal disse que a situação será em breve regularizada.

Por conta do problema, que atinge todos os estados, os medicamentos, que antes eram distribuídos em quantidade para uso por três meses, estão agora sendo disponibilizados de forma fracionada, numa medida adotada para atender toda a demanda de pacientes em tratamento. Segundo a coordenadora estadual de IST/AIDS, Silvana Lima, a distribuição dos medicamentos, na forma como era feita anteriormente, voltará a funcionar tão logo o estoque seja restabelecido pelo MS. Silvana Lima ressalta que o sistema adotado emergencialmente está permitindo que todos os pacientes continuem a seguir o tratamento, sem prejuízos. No caso dos municípios do interior, a coordenação está adotando procedimentos específicos, também com a preocupação de evitar prejuízos.

Na semana passada, A CRÍTICA mostrou que o fornecimento fracionado do medicamento poderia prejudicar o estado de saúde dos pacientes. A representante da Rede Nacional de Pessoas Vivendo com HIV no Amazonas, Vanessa Campos, 45, avisava que o fornecimento está sendo realizada em quantidade para apenas dez dias, quando o correto seria para três meses.

Ela alertava ainda que a pequena quantidade distribuída podia desestimular muitos pacientes porque eles precisam voltar outras vezes e poderiam não ter recursos para fazer a viagem, principalmente aqueles que moram em cidades do interior do Amazonas. “Além de cansativo, é caro para muitas pessoas virem do interior apenas para buscar esses medicamentos. Eles podem até se desmotivar e não virem mais buscar”, contou.

“Pode haver mortes no Amazonas se esse remédio continuar fracionado, pois vai desestimular muitos pacientes”, concluia João Dutra, também paciente.


12/07/2017

Fonte: A Crítica

 

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