A Agência Nacional do Petróleo (ANP) estuda a suspensão da licitação para expandir a capacidade do Gasoduto Brasil–Bolívia a partir do próximo ano. A agência confirmou hoje (19) que as três principais interessadas na expansão, a Petrobras, a espanhola Repsol e a francesa Total, retiraram suas propostas. Os pedidos haviam sido apresentados no final de março, menos de dois meses antes da nacionalização das reservas de gás bolivianas.
Outras duas empresas que haviam manifestado o interesse em disputar participação no investimento, a Pan American Energy do Brasil e a British Gas, também solicitaram adiamento do processo licitatório por um período de 180 dias, mesmo prazo estabelecido no decreto de nacionalização das reservas bolivianas para o período de transição para as novas regras. A ANP também avalia esta possibilidade.
A agência estava em estágio de análise das propostas e confrontamento entre os pedidos, para dar prosseguimento ao processo licitatório. Pelas propostas apresentadas até o momento a Petrobras era a principal interessada. O gasoduto teria sua capacidade atual, de 30 milhões de metros cúbicos por dia, expandida em, pelo menos, mais 15 milhões de metros cúbicos diários. Apenas dois dias após a divulgação do decreto boliviano que nacionalizou as reservas do país, o presidente da estatal já havia manifestado a suspensão dos investimentos, afirmando que não havia mais clima favorável para o investimento.
Além da Petrobras, haviam proposto a ampliação do Gasbol a espanhola Repsol, em 6,6 milhões de metros cúbicos por dia, a francesa Total, em 5,65 milhões, a inglesa BG, em 6,1 milhões, e a argentina Pan American Energy, em 2,7 milhões, totalizando 36,05 milhões de capacidade, em prazos variáveis entre 15 e 20 anos.
Na época do início do processo licitatório, cerca de três meses antes do decreto de Evo Morales, mas já no atual Governo, a Bolívia havia expressado a possibilidade de expandir a capacidade do duto em seu território em 21 milhões de metros cúbicos por dia.
Esta pode ser a segunda vez que a TBG tem frustrados os planos de expansão do Gasbol. Há três anos, a ANP já havia realizado uma chamada pública para ampliação do gasoduto. Na época, apareceram interessados em trazer mais 51 milhões de metros cúbicos por dia, mas o processo foi abortado em razão da redução do consumo de energia depois do racionamento de 2001. A maior parte do gás seria usada para abastecer usinas térmicas.
21/05/2006
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