A gaúcha Aeromot, fabricante de monoplanadores e de pequenos aviões de treinamento, aposta suas fichas em novos contratos com os ministérios da Justiça e da Defesa para superar dificuldades iniciadas em 2006, quando a interrupção de uma licitação provocou prejuízos de R$ 4,8 milhões. Além disso, a desvalorização do dólar atingiu em cheio as encomendas de aeronaves por clientes no Exterior.
Há dois anos, a Aeromot venceu uma licitação para produzir 10 aeronaves para patrulhamento aéreo do Rio durante os Jogos Pan-americanos de 2007, no valor de R$ 4,8 milhões. Foram interpostos recursos junto ao Tribunal de Contas da União, o que atrasou a assinatura do contrato até o final de 2006.
A Aeromot aguardava um prometido adiamento dos prazos, conta o presidente da empresa, Cláudio Viana. Segundo o Ministério da Justiça, responsável pela licitação, a entrega foi postergada de março até julho, mas não ocorreu. O problema foi que a Aeromot já tinha gasto com componentes, e chegou a adiar a produção de outra encomenda para liberar a fábrica para essa demanda mais urgente.
Para fazer caixa, foi preciso vender sua unidade de manutenção em agosto do ano passado, por um valor que a empresa não divulga.
– Foi a única maneira de não quebrar. Não conseguíamos sequer pagar o aluguel dos hangares – conta Viana.
Dirigente espera retomada de programa para polícias
As perspectivas, agora, são de novas encomendas, dos ministérios da Defesa e da Justiça. Segundo o empresário, em 2005 o Ministério da Justiça havia informado que tinha planos de entregar um monoplanador para a polícia de cada Estado brasileiro. Se o governo retomasse esse projeto, poderiam contar com novas encomendas.
– Estamos aguardando ainda este mês uma definição do ministério – diz Viana.
A pasta modificou a forma de equipar as polícias, segundo a assessoria de comunicação do Ministério da Justiça. Agora, não é o ministério que encomenda os produtos: as secretarias de segurança dos Estados submetem seus projetos ao governo federal, que avalia e libera recursos.
Viana também aguarda para este mês uma visita do ministro da Defesa, Nelson Jobim.
– Vou mostrar aviões que temos prontos para a Anac. Esperamos que, com ele (o ministro Jobim), haja continuidade de um antigo programa da Anac de distribuir aviões para aeroclubes brasileiros. Assim, teremos novas encomendas – afirma Viana.
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